Título
Educação ambiental popular: possibilidade metodológica para problematização das questões socioambientais no Igarapé da Fortaleza/AP.
Esta dissertação tem como tema a Educação Ambiental, na perspectiva da Educação Popular, com foco nas questões socioambientais no Igarapé da Fortaleza/AP. O Igarapé da Fortaleza é um aglomerado populacional, dividido por um rio de mesma denominação, que apresenta um aspecto sui generis: uma parte dele está localizada no município de Macapá, pela margem esquerda, numa Área de Proteção Ambiental, denominada de APA da Fazendinha, com 2.063 habitantes. Na outra margem,já no município de Santana,possui uma área reconhecidamente urbana, com 4.122 habitantes, denominada de bairro Fortaleza. Esse cenário cristaliza uma enorme contradição: embora faça parte de uma área de preservação, isso não evitou a antropização, com elevada degradação. Por outro lado, há um conflito no cumprimento de funções entre as duas esferas de governos municipais em relação à formulação e execução de políticas públicas para melhoria de vida e do local. Tem-se evidenciada, naquele espaço, a ocorrência de sérios problemas ambientais, como o escoamento de resíduos sanitários diretamente nos rios; além de esgotos a céu aberto,depósito de lixo em quintais e nas próprias vias de acesso à área, revelando alto teor de poluição e possível contaminação ambiental. Diante do quadro posto, a pesquisa foi instigada pelo seguinte problema: de que forma a Educação Ambiental Popular, como possibilidade metodológica, pode contribuir para a problematização das questões socioambientais no Igarapé da Fortaleza no Estado do Amapá? Partindo-se dessa questão, definiu-se realizar a pesquisa para compor a dissertação com o objetivo geral de analisar se a Educação Ambiental Popular, como possibilidade metodológica, pode contribuir para a problematização das questões socioambientais no Igarapé da Fortaleza. A pesquisa teve como arrimo os métodos histórico e dialético e se pautou na abordagem qualitativa. As atividades realizadas em campo foram inspiradas no Círculo de Cultura, idealizado por Paulo Freire. Utilizou-se a roda de conversa, tendo como indutores das discussões, temas relacionados à água, lixo e esgoto, apresentados através de imagens do cotidiano dos participantes, atribuindo-se a eles a liberdade de participação e manifestação que são pressupostos da Educação Popular. Os participantes da pesquisa são moradores do próprio Igarapé da Fortaleza, com idade acima de 18 anos, mas não houve um número definido.Dentre osresultados, a pesquisa apontou que as questões socioambientais no Igarapé da Fortaleza resultam da ocupação desordenada daquele espaço, a despeito de estar situado em uma Área de Proteção Ambiental.A prática pedagógica realizada com os moradores se apresentou como uma alternativa viável para desvelar situações, muitas vezes, invisibilizadas e vivenciadas por pessoas que sentem a dureza de uma realidade perversa. Desse modo, essa prática aplicada pode ser estimulada e replicada para realidades semelhantes que afligem outras regiões do estado do Amapá, considerando que ela possibilita discussões relacionadas a qualquer tema e que careça de alguma intervenção coletiva – seja no campo social, ambiental, político, econômico, cultural ou qualquer outro.