Título

Percepções de agricultores sobre mudanças climáticas e estratégias de adaptação

Programa Pós-graduação
Ecologia
Nome do(a) autor(a)
Isabel Dahmer
Nome do(a) orientador(a)
Vanderlei Secretti Decian
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2019
Dependência Administrativa
Privada
Resumo

A mudança climática (MC) é um dos desafios mais significativos e complexos da atualidade. A agricultura é uma fonte significativa de emissões de gases de efeito estufa (GEE), que estão impulsionando as alterações no clima e ao mesmo tempo representa um dos setores mais afetados pelas mudanças climáticas, dada a sua dependência aos recursos naturais. A MC pode influenciar diretamente os sistemas de produção agrícola para produção de alimentos, afetar a saúde animal e o padrão de equilíbrio entre a oferta e o comércio de alimentos. Essa pesquisa tem por objetivo compreender as percepções de agricultores convencionais e agroecológicos, residentes no Norte do Rio Grande do Sul, sobre a MC, identificando os fatores que interferem sobre estas percepções. O trabalho abrangeu agricultores de duas regiões do Estado - Corede Celeiro e Corede Norte, que pertencem ao território do bioma Mata Atlântica. De cada Região participaram 60 agricultores, que foram indicados por entidades que prestam assistência técnica no meio rural, sendo: i) 30 agricultores convencionais, ou seja, que manejam sistemas de produção agrícola modernos, na qual predominam as técnicas intensivas, através do uso de insumos e tecnologias; ii) 30 agroecológicos, ou seja, que manejam sistemas agrícolas de base ecológica, praticando uma agricultura mais próxima da agricultura tradicional. Ao todo, foram abrangidos na pesquisa 120 participantes. A coleta dos dados foi realizada por meio de uma entrevista individual, constituída por questões abertas e fechadas (escala Likert de cinco pontos. Os dados de cada questão foram submetidos a um processo de análise de conteúdo e de análise estatística - teste do qui-quadrado (x2) com p< 0,05, buscando verificar se os fatores mensurados (tipo de agricultura praticada na propriedade, região, tipo de propriedade, local de residência, gênero, idade, escolaridade e local de residência), influenciam as percepções dos agricultores. As análises foram realizadas, utilizando-se o Software Bioestat 5.0. Por meio do estudo foi possível diagnosticar que a televisão é a principal fonte de informação sobre o tema MC para os agricultores do Norte do RS. Independente da forma de produção (convencionais e agroecológicos), os agricultores atribuem à ação humana como a principal causa da MC. Eles percebem impactos da mudança climática a saúde e ao ambiente. Para a maioria dos agricultores a MC já causou e está causando prejuízos em suas atividades agropecuárias, principalmente pela redução da produtividade devido ao aumento de insetos pragas, eventos extremos e frio e/ou calor fora de época, mas alguns reconhecem e afirmam ter benefícios no seu cotidiano e em suas atividades agropecuárias com a MC, especialmente pelo plantio da segunda safra de alguns produtos e pela inserção de novas culturas na região. Em resposta a MC percebida no Norte do RS, e aos prejuízos gerados por ela, os agricultores estão adotando medidas de enfrentamento em suas atividades agropecuárias, principalmente associadas à conservação e gestão do ambiente- adoção de técnicas de proteção do solo, a conservação de Áreas de Preservação Permanente. Apesar de reconhecerem que a MC está acontecendo, demonstram maior preocupação quanto aos futuros efeitos negativos da MC à agricultura. A pesquisa aponta a importância de envolvimento dos agricultores em processos de educação continuada voltados aos agricultores, que visem informar, sensibilizar, preparar e oferecer oportunidades para que os agricultores compreendam melhor o tema É necessário que os agricultores estejam mais engajados e reconheçam que algumas atividades produtivas desenvolvidas no meio rural são responsáveis por essas mudanças, para que possam adotar ações para o enfrentamento da MC.


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