Título

Aulas de campo em contextos escolares : práticas e aprendizagens com a natureza

Programa Pós-graduação
Ensino das Ciências
Nome do(a) autor(a)
Renata Priscila da Silva
Nome do(a) orientador(a)
Carmen Roselaine de Oliveira Farias
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2019
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A partir de uma perspectiva fenomenológica e ecológica e de uma abordagem etnográfica, a pesquisa que você tem em mãos, ou na tela, investiga as aulas de campo em contextos escolares em termos de suas relações, práticas pedagógicas e aprendizagens. Para tal, propomos a análise do fenômeno aula de campo a partir de um posicionamento epistemológico e metodológico que, de certo modo, confronta o paradigma moderno e traz à tona o lugar da materialidade do mundo na aprendizagem. O objetivo geral foi analisar percursos de professores e estudantes em aulas de campo, ligadas a ciências e biologia, em diferentes contextos escolares, com atenção aos sentidos da natureza na produção de práticas pedagógicas e processos de aprendizagem. O trabalho de campo foi desenvolvido na educação básica e no ensino superior, a partir do acompanhamento de atividades no 6º ano do ensino fundamental de uma escola particular, no 2º ano do ensino médio de uma escola pública e de duas turmas dos cursos de bacharelado e licenciatura de Ciências Biológicas de uma universidade pública. Não é intenção da pesquisa fazer um estudo comparativo mediante realidades tão distintas, mas sim, abrir caminhos para olhar a diversidade das aulas de campo e assim identificar pontos de convergência e diálogo entre os diferentes contextos que nos permitiam uma articulação teórico-empírica sobre a temática enfocada. Os resultados apontam que as aulas de campo têm potencial para novas relações com o conhecimento ao possibilitarem o aparecimento, em um processo dinâmico de percepção corporal, do mundo dos materiais, geralmente oculto ou subentendido no espaço da sala de aula onde, geralmente, se privilegia o discurso científico. A percepção corporal e as interações estabelecidas com os materiais nos ambientes naturais evocam uma gama de sensações em um processo mútuo de ser afetado e afetar, tornando-se assim mais sensível ao mesmo. Isto pode propiciar experiências estéticas que, por sua vez, conduzem a sensibilidades éticas orientadas para a conservação da natureza e o respeito à vida. Todavia, a percepção corporal e a experiência estética situam-se entre aquilo que “vaza” as intencionalidades das aulas de campo em ensino de ciências e biologia, geralmente voltadas para a aquisição de conhecimentos científicos. Torná-los mais presentes nas propostas pedagógicas é possível mediante uma educação experiencial atenta a aspectos da experiência em si e orientada por posturas mais investigativas dos alunos, entendendo que, é no engajamento com o mundo que aprendemos sobre/com ele, e isto exige uma relação ativa. O professor pode mediar situações nas quais esse engajamento é possível, educando a atenção dos estudantes para novas percepções do mundo.


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