Título

As trilhas ecológicas como espaço educativo para o ensino: um estudo sobre as compreensões de professores de ciências da educação básica

Programa Pós-graduação
Ciência Tecnologia e Educação
Nome do(a) autor(a)
Jose Renato de Oliveira Pin
Nome do(a) orientador(a)
Marcelo Borges Rocha
Ano de defesa
2019
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Os espaços não formais situam, no processo ensino-aprendizagem, atividades e experiências potencialmente dinamizadas no contexto extraescolar. Esses locais, tais como: zoológicos, museus, manguezais, sítios arqueológicos, parques florestais e reservas biológicas quebram a formalidade do espaço escolar e podem configurar ambientes catalisadores de motivação e interesse, tanto para alunos quanto para professores. Na medida em que materializam artefatos cognitivos, físicos, sociais e culturais do arcabouço teórico-conceitual dos estudantes e professores que os visitam, corporificam-se como instâncias difusoras e produtoras de conhecimentos. As trilhas ecológicas, tomadas como espaço não formal, com características singulares que o ambiente natural aberto oferece, fundamentam teórica e metodologicamente seu uso para práticas didático-pedagógicas no ensino de Ciências. À luz de um ensino contextualizado com vistas à formação de valores socioambientais salutares, temos como objetivo principal desse estudo investigar as contribuições didático-pedagógicas das trilhas ecológicas no ensino de Ciências a partir das compreensões de professores de Ciências, Biologia, Física e Química da Educação Básica. Sendo assim, defendemos a tese de que as trilhas ecológicas, quando organizadas para o ensino de Ciências, apresentam potencialidades e especificidades didático-pedagógicas de caráter epistemológico e ontológico, respectivamente. Metodologicamente a partir de um olhar situado entorno às trilhas ecológicas no ensino de Ciências, fruto de um levantamento de teses e dissertações produzidas no Brasil no período de 2000 a 2015, esta pesquisa apresenta e discute os resultados de uma pesquisa-ação desenvolvida com uma amostra de vinte e dois professores de dezesseis municípios do estado do Espírito Santo. As compreensões desses professores, em diálogo com o pesquisador, evidenciaram que as trilhas constituem espaços não formais singulares para o processo ensino-aprendizagem em Ciências, uma vez que proporcionam a mediação do conhecimento in locus, ao ar livre, sem paredes, sujeito a intempéries, imprevistos e surpresas, o que impele sobre os educadores um olhar acurado em seu planejamento da prática de campo (vivência na trilha) e das atividades propostas antes e após a visita. A pesquisa permitiu concluir que as trilhas ecológicas no ensino de Ciências corroboram à autonomia docente (pressupõe a priori tomada de responsabilidade e superação de ordem epistemológica e prática), configuram uma possibilidade didático-pedagógica motivadora (uma proposta que difere espacialmente e metodologicamente da sala de aula tradicional) e contribui para a construção e/ou consolidação de valores socioambientais salutares (o contato com a natureza suscita reflexões axiológicas acerca das ações antrópicas no meio ambiente). Atento ao universo material e simbólico das trilhas ecológicas, por si só, espacialmente oportunizado e passível de modelagens, esperamos com este trabalho avançar em suas aplicações didático-pedagógicas no ensino de Ciências.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Modalidade: Regular