Título

Fábulas e ficções de natureza: arte e educação ambiental a partir da 9ª Bienal do Mercosul/Porto Alegre e da 32ª Bienal de São Paulo

Programa Pós-graduação
Educação Ambiental
Nome do(a) autor(a)
Caroline Leal Bonilha
Nome do(a) orientador(a)
Paula Correa Henning
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2019
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

O objetivo da pesquisa foi investigar atravessamentos entre educação ambiental e arte contemporânea a partir da problematização de visibilidades e enunciabilidades ligadas a produção de naturezas presentes em exposições temporárias. Para tanto, foram analisados os projetos curatoriais da 9ª Bienal do Mercosul/Porto Alegre, ocorrida em 2013, e da 32ª Bienal de São Paulo, realizada no ano de 2016. As duas exposições investiram esforços em discussões relacionadas à natureza, anunciando em seus projetos curatoriais preocupações com o clima e com a ecologia, o que justifica sua escolha como objeto de análise. A partir das mostras foram selecionadas proposições artísticas e textos pertencentes aos catálogos e materiais educativos lançados em razão das mostras. O problema de pesquisa foi pensado a partir de questionamentos sobre como as noções de naturezas produzidas e colocadas em movimento através das obras, propostas curatoriais, catálogos e materiais educativos das bienais produzem diferentes educações ambientais. Assim, a tese defendida é de que a arte, além de educar para natureza, colabora na formação de enunciações e visibilidades que operam na produção discursiva de diferentes naturezas. A partir da análise do material de pesquisa foi possível perceber dois movimentos: um conjunto de textos e obras que apresentam as crises ambientais como catastróficas e apocalípticas, ainda que tragam também escapes e ranhuras, e um segundo grupo que através da ficção e da proposição de outras abordagens apresenta reconfigurações na relação entre mulheres, homens e natureza. As propostas curatoriais, obras e materiais educativos vinculados às duas bienais foram desmontados para que os conjuntos apresentados fossem produzidos. Nesse sentido, o conceito de desmontagem/montagem inspirado por Didi-Huberman foi importante ferramenta metodológica, permitindo colocar as imagens em relação. Os conceitos de visibilidade, enunciabilidade, fábula e ficção também marcam a escrita e são ancorados nos estudos de Michel Foucault, filósofo que aparece como referência teórica e metodológica no desenvolvimento do trabalho. Dividida em quatro capítulos, a tese apresenta em sua primeira parte o desenvolvimento da questão de pesquisa, dos objetivos, metodologia e apresentação do material selecionado para análise. O segundo capítulo busca as condições de emergência das preocupações com a natureza, tanto da perspectiva da arte como da educação ambiental, no surgimento da pintura de paisagem no século XVII e de uma sensibilidade voltada para a natureza a partir do século XVIII, o terceiro e o quarto capítulo apresentam as montagens produzidas a partir dos materiais que compuseram as edições das bienais do Mercosul e de São Paulo analisadas. Durante o percurso da tese, as visibilidades e enunciabilidades analisadas foram pensadas como elementos importantes na fabricação de naturezas. A expectativa é de que ao final da leitura não restem certezas, e sim possibilidades de montagens, de fábulas e de ficções que resultem em outras educações ambientais.


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