Título
Atividade pesqueira e a interferência na saúde da mulher: vivência no estuário do Rio Mamanguape - PB
As discussões ambientais relacionadas a saúde, vêm ganhando visibilidade devido a fatores como efeito estufa, poluição, desmatamentos entre outros. No que se refere às questões laborais, a exposição a fatores físicos, químicos e biológicos, podem levar a altos índices de morbidade. Para as mulheres pescadoras a vulnerabilidade fica evidente, destacando-se dentre as patologias incidentes, as afecções ginecológicas. Dessa forma, o presente estudo objetivou estabelecer relações entre a prática da atividade pesqueira, as condições de saúde e o desenvolvimento de afecções ginecológicas em mulheres pescadoras. A metodologia de abordagem quanti-qualitativa explorou dados socioeconômicos e ambientais associados as questões de saúde das mulheres. A coleta de dados ocorreu no estuário do Rio Mamanguape (Paraíba – Brasil) durante o segundo semestre de 2017, tendo como amostra 25 marisqueiras, com idade variando de 18 a 53 anos. Para análise qualitativa foi utilizada a técnica de Análise de Discurso do Sujeito Coletivo e a observação participante e para as entrevistas foi utilizado um instrumento semiestruturado. Quantitativamente os dados foram trabalhados no programa SPSS versão 20.0, sendo expostos em tabelas. Os resultados demonstraram que as marisqueiras estão expostas a vários fatores de risco para o desenvolvimento de afecções ginecológicas em sua atividade laboral. Dentre estes, observa-se longos períodos de exposição a umidade, além do contato com água e solo que apresentam micro-organismos patogênicos. Muitas já apresentavam sinais sugestivos ou as próprias afecções, o que demonstra uma íntima relação entre a atividade desenvolvida e o processo de adoecimento, ficando assim evidente a importância da educação em saúde e meio ambiente, destacando a prevenção como peça chave para uma melhor qualidade de vida.