Título

Percepções sobre a importância da vegetação ripária para agricultores do sul do Brasil

Programa Pós-graduação
Ecologia
Nome do(a) autor(a)
Fernanda Jessica Pfeifer
Nome do(a) orientador(a)
Rozane Maria Restello
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2018
Dependência Administrativa
Privada
Resumo

Esta pesquisa tem por objetivo diagnosticar as percepções de agricultores residentes no Rio Grande do Sul sobre a vegetação ripária, sua importância, seus serviços ecossistêmicos e os principais motivos que levam a sua degradação ou conservação. O estudo foi desenvolvido no Sul do Brasil, abrangendo um total de 180 agricultores residentes nos biomas Pampa e Mata Atlântica. De cada bioma foram selecionados três municípios: i) um município essencialmente rural (MER – município em que 50% da população habita as unidades rurais); ii) um município relativamente rural (MRR - 15% a 50% da população que vive em unidades rurais); iii) um município essencialmente urbano (MEU - menos de 15% da população vive em unidades rurais). De cada município participaram do estudo 30 agricultores A coleta de dados foi realizada no período de dezembro de 2016 a abril de 2017, por meio da aplicação de entrevistas semi-estruturadas. As informações foram registradas em um formulário e gravadas, em meio digital, com prévia autorização dos participantes. Após a transcrição, os dados das perguntas foram submetidos a um processo de análise qualitativa, concretizado em algumas etapas: 1ª Etapa: leitura sistemática do material coletado, organizando-o e estruturando-o de forma lógica e de modo a facilitar a consulta; 2ª Etapa: criação de categorias de codificação; 3ª Etapa: foram atribuídos valores numéricos às variáveis qualitativas (categorias) para cada pergunta a fim de possibilitar que os dados possam ser tratados estatisticamente; 4ª Etapa: o conjunto de dados de cada questão foi organizado em planilhas e submetido a um processo de análise descritiva, com o objetivo de evidenciar as características de distribuição das variáveis. Os resultados foram apresentados em medidas descritivas, por meio do cálculo de freqüência das variáveis. Também foram realizados testes estatísticos para evidenciar as diferenças entre os grupos pesquisados. Os dados do estudo apontam que os agricultores reconhecem a importância da vegetação ripária para a manutenção dos serviços ecossistêmicos, principalmente aqueles relacionados às funções de regulação e habitat. Também destacam os benefícios dos ecossistemas ripários para a propriedade rural, como por exemplo, para a manutenção da água para irrigação e o controle de pragas agrícolas. A televisão é a principal fonte de informação sobre o tema. A maioria dos participantes, afirma conhecer as regras/orientações estabelecidas pelo novo Código Florestal e afirma que a agropecuária é a principal fonte de degradação do ambiente ripário. Apenas 49,4% reconhecem a importância do novo Código Florestal e destes 58,4% afirmam que a existência da legislação é de grande importância para regrar as ações da população. Outros 40,4% afirmam que o Código Florestal auxilia na manutenção dos serviços ecossistêmicos, como, por exemplo, na manutenção da água, controle da erosão, preservação da biodiversidade de fauna e flora e evita catástrofes naturais. Destacam a importância de práticas de recomposição da vegetação ripária para a conservação do solo, da água e para a manutenção da biodiversidade da fauna terrestre e aquática. Dentre as principais práticas de recomposição da vegetação ripária, a maioria dos agricultores que a realizam (88,2%) afirma que utiliza o plantio de espécies arbóreas. Dentre os critérios que merecem ser considerados na seleção das espécies, são apresentados: i) contribuir com a sustentabilidade da propriedade rural, através da geração de renda; ii) produzir alimentos para a família (frutos e pinhão); iii) alimentar a fauna terrestre e aquática, porém nem sempre fazem referência à fauna silvestre. Como resultado, há a necessidade de implantação de uma política ambiental para encorajar mudanças contínuas de gestão, levando em consideração o agricultor como peça-chave na manutenção de importantes serviços ambientais. Além disso, há a necessidade de implementacão de programas educativos que contribuam para ampliar os conhecimentos sobre as serviços ecossistêmicos e que incentivem a conservação dos ecossistemas ripários.


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