Título
A contribuição de um programa de formação continuada para a autoformação do professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental
A formação continuada de professores, como campo disciplinar, está em voga nas universidades e em diferentes âmbitos da sociedade como proposta de reafirmar a profissionalização docente. Partindo do entendimento que a discussão nas universidades paira sobre a superação de um profissional puramente técnico e com o intuito de superar essa formação mais linear e determinista, a investigação da autoformação proposta na formação continuada ofertada pelo grupo de pesquisa Aprendizagem e Conhecimento na Prática Docente possui relevância. Nesse contexto, esta pesquisa propõe uma reflexão sobre autoformação em um programa de formação continuada ofertado em uma escola municipal, investigando como aquela oferecida pelo grupo de pesquisa referido pode contribuir para o processo de autoformação dos professores do primeiro e segundo ciclos de uma escola da Rede Municipal de Ensino de Curitiba. Para tanto, tem por objetivos específicos: identificar a concepção dos professores de educação básica sobre formação continuada; investigar a contribuição das rodas de conversa no programa de formação continuada, como narrativas dos professores de educação básica, para a tomada de consciência da incorporação de suas experiências, como artífices da própria formação; identificar, no discurso dos professores de educação básica, indicadores que propiciem o entendimento quanto à relação entre as experiências pedagógicas, as histórias vividas e a relação com o ambiente; e destacar, se identificados, os aspectos do processo de formação continuada que contribuíram para mobilizar a autoformação dos professores de educação básica. Como metodologia, foi utilizada pesquisa de tipo qualitativo, com abordagem segundo as categorias de Galvani (2002). Para a coleta de dados, utilizou-se como instrumento o registro de observação da roda de conversa de oito encontros de formação presencial, tendo participado da pesquisa 12 professoras. Entre os autores pesquisados, apresentam-se como mais relevantes: Contreras (2012), Furter (1975, 1979), Galvani (2002, 2009, 2012), Imbernón (2009, 2011, 2013), Morin (1998, 1999, 2000, 2001a, 2015, 2016) e Pineau (1988, 2006a). Como resultado, observou-se que a formação dá-se a partir da mobilização da lembrança das histórias vividas, para refletir sobre a ação prática a partir do próprio contexto, em sentido amplo de retroação sobre si e o meio ambiente físico e social. Em maior ou menor frequência, foram identificadas as categorias de Galvani (2002) nos registros das rodas de conversa, na maioria das quais se percebeu a tríade da autoformação dissociada, estando presente, em todos os casos, pelo menos uma das categorias, com predomínio da heteroformação, o que é comum até os sujeitos construírem confiança no grupo para então conseguir realizar trocas reflexivas das experiências. Por meio da análise e interpretação dos dados, verificou-se que a formação continuada ofertada pelo grupo de pesquisa possui organização metodológica parecida com aquela proposta por Galvani (2002), permitindo concluir que tal formação não é feita somente por cursos ou treinamentos, sendo a escola fundamental nesse processo. Portanto, está-se falando de uma autoformação em formação continuada que seja coletiva e possibilite formação para além do texto, um grupo que se ouve, cresce e se forma junto.