Título
Cartografia das práticas discursivas do movimento ambientalista universitário: olhares, reflexões e experiências na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Este estudo objetiva cartografar os alcances e os limites das práticas discursivas ambientalistas para o mapeamento e a constituição de uma rede socioambiental na UESB. Para tanto, compreendem-se como práticas discursivas ambientalistas os modos de dizer, ou seja, as ideias e afirmações sobre a questão ambiental e dos modos de existir, isto é, as estratégias e ações desenvolvidas voltadas a socioambiental. Nesse caso, para atender à especificidade e à abrangência da pesquisa, foi utilizada a estratégia metodológica da cartografia com base nos estudos de Bruno Latour, Gilles Deleuze e Félix Guattari. Propôs-se realizar um mapeamento no território da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia amparado pela Teoria de Rizoma e a Teoria Ator Rede para seguir os actantes no movimento simultâneo de dentro e fora das práticas discursivas. Nesse mapeamento, identificaram-se como discursos mais frequentes o da Educação Ambiental, do Desenvolvimento Sustentável, da Agroecologia, da Sustentabilidade, da Ambientalização e da Produção do Conhecimento. Esses são disseminados nas práticas discursivas de forma unitária ou associados um ao outro, numa conjugação de discurso para justificar uma prática. Da mesma forma, percebe-se que esses discursos são empregados para desenvolver finalidades específicas, tais como: gestão de resíduos sólidos, reciclagem, economia, gestão ambiental, sensibilização, conservação da flora e da fauna, participação, responsabilidade, busca de religação do saber, controle de poluentes, inserção curricular, resgate dos saberes tradicionais, questionamento do pensamento ocidental (ciência, modernidade), proteção de nascentes, reflorestamento, desenvolvimento local e decrescimento. Os discursos assumidos pelas práticas discursivas dos actantes universitários promovem a essas rotulações dentro do campus, por serem compreendidos e identificados como, por exemplo, o grupo da Educação Ambiental, o grupo da Agroecologia e, assim, sucessivamente. O fato é que a instituição não tem um programa socioambiental institucionalizado que abarque todos esses discursos e fomente as práticas discursivas, o que abre nos campi universitário a disputa de espaço focado nas relações de micropoder, e, por isso, nos grupos, há pouca ou nenhuma interação. Por outro lado, é a ação isolada desses grupos, os quais, quando percebidos de forma conjunta de fios soltos que, por vezes, conectam-se, que dá à instituição a ideia inicial de emergência de uma rede socioambiental que provoca dobra, ou seja, que explica/traduz o território da UESB, representando, assim, o movimento ambientalista universitário uesbiano que hoje não tem um discurso ambientalista da UESB e sim grupos que desenvolvem suas práticas discursivas sobre o discurso ambientalista na UESB.