Título
Uma proposta de intervenção junto a moradores em situação de rua: uma nova visão social e ambiental
Nas sociedades contemporâneas em que se encontram profundamente arraigados os
princípios capitalistas do consumismo e individualismo ainda subsiste o ideal de
“superioridade” do Homem em relação à Natureza. Ainda prevalecem no imaginário
coletivo global valores e percepções que fazem da sociedade e dos indivíduos como
seres diferentes/externos da Natureza e assim desenvolve-se com ela uma relação
predatória, conflituosa e autoritária que a reduz em sua importância, ou, em outras
palavras, retifica a Natureza apenas como uma fonte de recursos para os projetos de
desenvolvimento do sistema econômico vigente. O reflexo desta lógica perversa pode
ser encontrado logo ali na esquina, nos logradouros públicos, do primado do asfalto
ao culto ao transporte individual, nas desigualdades socioeconômicas gritantes por
meio dos mercados de consumo, que levam a produção desenfreada de lixo por toda
gente e, concomitantemente, produz desenfreadamente muita gente que vale tanto
quanto lixo e dele sobrevive como é o caso das pessoas em situação de rua. Estas
populações em situação de rua subsistem em condições degradantes, são um
problema quase tão universal quanto a produção de resíduos sólidos, que, porém, não
são tratados com a mesma relevância. Na sociedade brasileira, aliás, os dois temas
são igualmente ignorados e varridos para debaixo do tapete, como o lixo. Por mais
que ignorado, este é um problema dado e que cresce diariamente. Com vistas a estes
dois problemas e sensibilidade para compreender que a construção de alternativas
tanto para uma situação, quanto para a outra passa pela formação e emancipação
dos sujeitos, para que possam construir uma cidadania ativa capaz de recriar valores
sobre si e sobre o ambiente em que vivem. Com objetivo de contribuir para a mitigação
destes problemas sociais, a partir dos fundamentos da pedagogia freiriana, propõe-se
a elaboração da cartilha No meio da rua: A Educação Ambiental transformando
vidas. Como continuação da estratégia, propõe-se a Educação Não Formal, com
processo de ensino e aprendizagem desenvolvido por meio de técnicas e em
ambientes alternativos, devido às dificuldades em encontrar espaço e tempo
adequados aos processos formais; e por incorporar os conhecimentos prévios e
experiências destas populações como facilitadores da construção do conhecimento.
Por fim, cabe destacar que não se pensa a Cartilha e sua aplicação como solução
única e milagrosa para um problema de tamanha complexidade, mas procura-se contribuir para esta. Ressaltando que o produto está sujeito a futuras intervenções de
acordo com as necessidades dos grupos. Sendo assim, a educação como instrumento
conscientizador de uma nova relação com a Natureza e o libertar das opressões
diariamente sofridas por este grupo social. Que o processo educativo desenvolva
potencialidades e criticidade, disseminando o conhecimento de uma sociedade
sustentável.