Título
Experiências e saberes de estudantes universitários sobre o Rio Doce
A pesquisa, realizada em uma abordagem interdisciplinar, estabelece um diálogo entre os
campos da Educação e da Geografia. O objetivo geral da investigação é compreender as
experiências de estudantes universitários sobre o rio Doce e os saberes nelas contidos. O
aporte teórico utilizado foram as contribuições de Bernard Charlot sobre a teoria da relação
com o saber, em diálogo com o campo da Educação Ambiental e com as reflexões do
geógrafo Yi-Fu Tuan, sobre a relação de pertencimento ao lugar. O campo de pesquisa foi a
Universidade Vale do Rio Doce que se encontra às margens do rio Doce. Os sujeitos foram
estudantes do 10º período do curso de Engenharia Civil e Ambiental e do 7º período do curso
de Pedagogia. O material empírico analisado foi produzido por meio da adaptação do
“balanço de saber”, proposto por Bernard Charlot (2009) e de entrevistas. As entrevistas
foram realizadas com a participação de doze sujeitos, seis estudantes do curso de Engenharia
Civil e Ambiental (três estudantes do sexo masculino e três do sexo feminino), com idades
compreendidas entre 22 a 24 anos e seis estudantes do sexo feminino, do curso de Pedagogia,
com idades entre 21 a 47 anos. A análise empreendida a partir do aporte teórico da teoria da
relação com o saber e do conceito de experiência proposto por Yi-Fu-Tuan permitiu
identificar que os estudantes possuem muitas relações de afeto com o lugar e que o sentimento
de pertencimento se faz por meio das suas experiências com o lugar. As conclusões do estudo
apontaram que as relações que os estudantes estabelecem com o rio Doce são relações
territorializadas e inscritas na tríade proposta por Charlot, – epistêmicas, identitárias e sociais.
No conjunto de balanços e nas entrevistas, houve uma preponderância para as relações
epistêmicas, demonstrando a importância da universidade como lugar do conhecimento. É
importante ressaltar que esse conhecimento só se faz como relação de sentido, quando
envolve relações identitárias, e neste estudo em especial, relações sociais com o saber,
traduzidas em maior comprometimento ambiental.