Título
A relação entre o sentimento de pertencimento e a educação ambiental
A atual crise socioambiental é evidente. Vivemos uma crise civilizatória em decorrência do
modelo de desenvolvimento da sociedade moderna. Com a mercantilização da vida,
perspectivas dualistas, como ser humano versus natureza e razão versus emoção, foram
intensificadas. Nesse contexto, no enfrentamento da problemática socioambiental torna-se
fundamental a ruptura com os paradigmas disjuntivos para que novas relações (consigo
mesmo, com o outro e com o universo) possam ser estabelecidas. Por tudo isso, o presente
estudo, busca identificar, compreender e problematizar a relação entre o sentimento de
pertencimento e o processo formativo de Educação Ambiental. Alguns questionamentos nos
instigaram nesta pesquisa, como: será que a proximidade de uma escola com uma Unidade de
Conservação é um ambiente propício para práticas pedagógicas diferenciadas, de reencontro
com o natural? Ou será que é usado apenas como espaço de contemplação de um natural sem
a presença humana? Os atores da pesquisa são quatro professores que possuem afinidade com
a temática ambiental, de diferentes áreas do conhecimento, e atuam em uma escola pública do
entorno da Unidade de Conservação de Tinguá, localizada no Município de Nova Iguaçu, no
Estado do Rio de Janeiro. Os dados foram coletados, através da observação participante no
espaço escolar e das narrativas autobiográficas dos professores participantes, e analisados
seguindo o Método de Interpretação de Sentidos, de Gomes et al. (2005). A partir da análise
dos dados, destacamos elementos que nos ajudam a pensar e repensar os princípios formativos
presentes na “ComVivência Pedagógica”, são eles: a postura conectiva; a intencionalidade
emancipatória e transformadora; a promoção da reflexão crítica; a indignação ética e a
desestabilização criativa. Apoiado nos nossos referenciais teóricos, nos estudos e publicações
anteriores do nosso grupo de pesquisa e nas interpretações resultantes deste trabalho, o
sentimento de pertencimento é compreendido como um elo conectivo que nos liga ao todo,
capaz de potencializar a autonomia e a coletividade necessária para a construção da identidade
(o eu), a construção da alteridade (o outro) e as interações de relações múltiplas (o universo).
Pertencer a partir de uma perspectiva complexa, autopoiética, constante e dialética contrapõe
o pertencer individualista e reducionista enraizado na sociedade moderna. O sentimento de
pertencimento possibilita a emoção do pertencer (o domínio de ação). A emoção do pertencer
é inerente a nossa essência e pode ser aflorada a partir de atitudes básicas que redirecionem de
forma radical nossos sentidos existenciais. O exercício da “emoção do pertencer”, que
acredito ser fundamental na desconstrução de sentidos hegemônicos da modernidade, foi
apresentado como um novo princípio formativo. As reflexões deste estudo representam um
olhar entre muitos olhares possíveis. Pensar a relação entre o sentimento de pertencimento e o
processo formativo de Educação Ambiental nos permitiu pensar em práticas educativas de
transformação social, pautadas em emoções que constituem a identidade do nosso “ser”
humano e natural.