Título

Conflitos socioambientais que afetam a soberania alimentar de comunidades do cerrado do pantanal – MT

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Eronaldo Assuncao Valles
Nome do(a) orientador(a)
Michelle Tatiane Jaber da Silva
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2018
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Esta pesquisa de dissertação inscreve-se na prática cotidiana de duas comunidades culturalmente singulares: Quilombo Laranjal e a Comunidade Tradicional Zé Alves. Elas são formadas por camponeses/as que desenvolvem atividades de produção alimentar (agricultura e pecuária) e de extrativismo vegetal, em regime familiar e comunitário, no município de Poconé, estado de Mato Grosso. O deslocamento da fronteira agrícola tem trazido significativos danos ambientais que ameaçam a soberania alimentar destas populações. As mudanças no uso e na ocupação do solo têm se caracterizado em um quadro de injustiça ambiental, tendo em vista que as atividades do agronegócio são altamente predatórias e causam graves danos socioambientais. As consequências ocorrem de maneira desigual, pois os grupos sociais menos desprovidos de condições técnicas e financeiras são os mais prejudicados. Os problemas socioambientais são percebidos em diversos aspectos no cotidiano destas comunidades, e esta pesquisa recorre à Educação Ambiental para compreender as mudanças ambientais e suas relações com as práticas de produção alimentar. É uma pesquisa que teve o aporte metodológico do mapa social, reconhecendo que existem grupos que foram preteridos no tocante ao processo histórico de expansão do uso e ocupação do território mato-grossense. Neste sentindo, busquei, por meio das narrativas dos sujeitos pesquisados, desvelar os processos de expropriação dos grupos sociais e de seus territórios. Usei várias rotas no caminhar investigativo, como observação nos 7 trabalhos de campo, discussão político-pedagógica nos 2 seminários de mapeamento dos grupos sociais e de seus conflitos socioambientais, além das interpretações de 10 entrevistas semiestruturadas com os/as camponeses/as das comunidades Zé Alves e Laranjal. Dentre os resultados, observei que a maioria dos conflitos narrados tem ligação com o uso e a ocupação do espaço, materializados pela disputa por grupos diferentes em aspectos ligados à natureza, mais especificamente aos sistemas ecológicos. Ou seja, ocorre a disputa pelo uso e controle dos componentes bióticos (fauna e flora) e abióticos (rocha, solo, água e clima) do ecossistema local. As principais atividades apontadas como geradoras de conflitos socioambientais são: desmatamento, uso abusivo de agrotóxicos, disputa por terra, disputa por água, garimpo e queimadas. Interpreto de que a Educação Ambiental e a Educação Popular ganham contornos pedagógicos relevantes, pois se põem a questionar a política do modelo de desenvolvimento atual que tem criado um cenário de desigualdade por todo o globo. Assim, acredito no processo educativo que consiga evidenciar a maneira predatória de apropriação da natureza causando um desastroso quadro de injustiças socioambientais que carecem de lutas, mudanças de hábitos alimentares e processos formativos que ofereçam mais dignidade e o esperançar de um outro mundo possível.


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