Título

Fontes do imaginário e da educação ambiental: cartografia e justiça climática nas águas e sentidos das mulheres pantaneiras, quilombolas e mariscadoras

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Rosana Manfrinate Martendal
Nome do(a) orientador(a)
Michele Tomoko Sato
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2018
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Esta tese é fruto de uma pesquisa fenomenológica em Educação Ambiental, envolvendo três identidades de mulheres: 1) as pantaneiras de Joselândia, no município de Barão de Melgaço, MT, por ser uma região que vive do fluxo das águas doces; 2) as quilombolas de Mutuca, no município de Nossa Senhora do Livramento, MT, no cerrado da seca com transição para o Pantanal; e, 3) as mariscadoras de alguns pontos marítimos da região da Galícia, na Espanha. São territórios cujos habitantes se inter-relacionam fortemente com o ambiente e, com isso, construímos nossa pesquisa, acatando a premissa de que as mudanças climáticas já são sentidas no nosso cotidiano e que o ser humano possui influência direta ou indireta nas alterações planetárias. Assim, procuramos compreender quais são os processos de injustiças ambientais que agravam as consequências das Mudanças Climáticas no cotidiano das mulheres das comunidades tradicionais (Brasil e Espanha), principalmente em relação a água, visando bases para reflexão sobre a construção da Educação Ambiental aliada à Justiça Climática. Acreditamos que os conhecimentos orgânicos e as percepções dessas mulheres podem contribuir à construção de uma Educação Ambiental aliada aos princípios da Rede Internacional de Justiça Climática. A metodologia vem acompanhada pelas táticas da Cartografia do Imaginário de Michèle Sato que se ancora em Gaston Bachelard e na metáfora dos quatro elementos: Água, Terra, Fogo e Ar. As mudanças climáticas aparecem nas narrativas como um fenômeno desconhecido, apesar das suas consequências já serem percebidas. Compreendemos que mesmo antes do fenômeno climático ser amplamente divulgado, as mulheres já enfrentavam os conflitos atmosféricos, principalmente os relacionados ao uso e acesso à água, pois vivem em baixas condições econômicas e sociais, em situações de, de vulnerabilidade e de injustiças climáticas. As narrativas também apontam que muitos dos problemas estão ligados aos preconceitos sexistas, os quais poderão piorar com as consequências das mudanças climáticas para tais mulheres. Acreditamos que a Educação Ambiental é uma proposta pedagógica que pode acolher a diversidade de sentidos das relações de gênero e do meio ambiente à construção de políticas públicas. Uma política que respeite as complexidades culturais, ecológicas e imateriais, acolhendo o imaginário e a construção dos sentidos para todos e, nesta tese em especial, com a inclusão das mulheres de maneira mais justa.


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