Título
Contribuições da arquitetura para a conservação e visitação em geoparques
Os geoparques se tornaram uma importante estratégia de geoconservação, não apenas por sua contribuição na conservação do patrimônio geológico, mas também por trazer uma visão holística de proteção, educação e desenvolvimento sustentável ao território. Com o intuito de demonstrar a importância de conservar o patrimônio geológico, esta dissertação se propôs a discutir sobre as contribuições da arquitetura na conservação, valorização e divulgação da geodiversidade, dentro do processo de geoconservação do patrimônio geológico do Arouca Geopark. A pesquisa apresenta um enfoque qualitativo de caráter exploratório, permitindo a compreensão sobre as intervenções arquitetônicas dentro do processo de geoconservação. Contou-se com as seguintes etapas metodológicas: Revisão bibliográfica e documental em base de dados científicos e institucionais, análises de experiencias empíricas que estimularam a compreensão do tema e do objeto desse estudo e observações por meio de trabalhos de campo para apreciação da realidade. Os inúmeros prêmios advindos das boas práticas de conservação no território arouquense, fez com que fosse escolhido para este trabalho. A arquitetura se faz presente nesses processos, sendo utilizada como apoio para a conservação, valorização e divulgação dos geossítios. É notória a aplicação dos princípios básicos da conservação e do restauro, presentes nas cartas patrimoniais, na qualificação dos geossítios: a mínima intervenção, a utilização de materiais reversíveis e quando não se é possível a utilização destes, verifica-se a presença da compatibilidade de materiais. São desenvolvidas inúmeras ações de educação ambiental, em sua maioria com crianças e jovens em idade escolar. Nesse ponto a arquitetura é expressada por meio dos Centros de Interpretação Geológica de Canelas e a Casa das Pedras Parideiras, que servem como apoio das ações educacionais ao mesmo tempo que corroboram com a conservação do patrimônio geológico ex situ e in situ, respectivamente. A prática do geoturismo é posta de maneira sinérgica entre o turismo cultural, apontando os materiais geológicos nas construções que originaram a cidade; fazendo uso do relevo e das rochas para as do turismo de aventura; no ecoturismo correlaciona a fauna e flora com o meio abióticos através de trilhas e caminhadas. Nesses contextos temos a presença da arquitetura marcando a paisagem pelos tempos, na edificação histórica como no Mosteiro de Santa Maria de Arouca, considerada como a gênese da cidade e nos Passadiços do Paiva, construída de madeira de pinho tratada ancorada em ferro no maciço rochoso. Diante desses cenários a arquitetura não contribui apenas com um apelo cênico ou como instrumento de infraestrutura, mas sim como partícipe do desenvolvimento do território que conserva e protege fragmentos da história da Terra.