Título
Corpo e memória: os fênomenos na trilha da vida
A dissertação Corpo e Memória: os fenômenos na Trilha da Vida, desenvolvida no Mestrado em Patrimônio Cultural e Sociedade da UNIVILLE, é vinculada à linha de pesquisa Patrimônio, Memória e Linguagem e ao Grupo de Estudos em Arte, Cultura e Patrimônio (GEARCUPA), e à Trilha da Vida, uma instalação de Arte&Ciência, experimento educacional criado pelo artista e educador ambiental José Matarezi, em 1999. A abordagem teórico metodológica "Trilha da Vida: (Re)Descobrindo a Natureza com os Sentidos" foi concebida com o objetivo de discutir ciência através de uma educação sensível, que valorize as dimensões subjetivas das pessoas, frente à excessiva racionalização científica. A pesquisa objetiva investigar e compreender como se manifestam as possíveis evidências de transformação das pessoas, pela exaltação das dimensões sensíveis, quando experienciada a instalação Trilha da Vida, a partir dos fenômenos de percepção do corpo e fenômenos da memória. No primeiro capítulo, são discutidas as relações que a Trilha da Vida tem com a fenomenologia, pelas aproximações com Merleau-Ponty (1974), com a dissertação de Matarezi (2017), referências principais nesta seção. Pela investigação bibliográfica, identificaram-se aproximações radicais entre esses dois campos, principalmente pelo enraizamento da Trilha da Vida nas perspectivas da Educação Ambiental crítica, transformadora e emancipatória. No segundo capítulo, são discutidas as relações de corpo, patrimônio e memória na Trilha da Vida, a partir de um quadro socioambiental atual. As dissociações estabelecidas, e fortalecidas pela ciência, tensionam e separam o corpo, do meio ambiente, da natureza, de suas memórias, e da alma. Em um movimento integrador, a pesquisa foca-se na união dessas dimensões. Também, são discutidas as importâncias de movimentos intencionados na sociedade, dadas as profundas alterações históricas frente ao acelerado avanço tecnológico, que apresentam como consequências, afastamentos de estilos de vida pautados nas necessidades individuais, conduzindo a anestesiamentos dos sentidos, e do corpo-próprio, propostas por Duarte Jr. (2000). Dessa forma, as relações com as memórias e identidades também se modulam diante do quadro de desconexão sensível dos sujeitos com eles mesmos, pois ambas são compreendidas no corpo. Por fim, são discutidas as abordagens fenomenológicas sobre Tempo e Espaço na Trilha da Vida referendadas de Merleau-Ponty (1974), para uma fenomenologia da memória e do quadro perceptivo. O último capítulo volta-se para apresentação e análise dos fenômenos na Trilha da Vida. Contudo, uma etapa foi alterada na abordagem: a da elaboração dos Mapas Mentais, por expressões na argila. Assim sendo, são discutidas as contribuições, na Trilha da Vida, decorrentes da substituição. Para a coleta dos dados, utiliza-se da metodologia observação participante, aliada ao diário de campo, e fotografias para uma descrição da cena fenomenológica, método proposto por Detoni e Paulo (2000), do dia da experiência. Com as transcrições dos relatos de vivência dos participantes da Roda de Diálogo, os dados são interpretados pelo método da hermenêutica fenomenológica, proposta por Bicudo (2000), tendo como base de discussão a fenomenologia merleau-pontyana. Foram identificados cruzamentos entre os fenômenos de percepção do corpo e os fenômenos da memória, em relatos que apresentavam descrições sensoriais e sensíveis da experiência vivida. Assim, o contato do participante consigo mesmo foi um dos dispositivos principais para mobilizações das identidades, evocações da memória e ressignificação das histórias de vida.