Título
Dinâmica da governança em unidades de conservação: estudo de caso da estação ecológica de Carijós, Florianópolis, Brasil
O tema deste trabalho é a dinâmica da Governança em Unidades de Conservação (UC), tendo como estudo de caso a Estação Ecológica de Carijós (ESEC Carijós), localizada no litoral sul do Brasil, na Ilha de Santa Catarina - Florianópolis, em uma área de crescimento urbano. As áreas litorâneas apresentam ecossistemas que dão suporte a uma elevada diversidade e produtividade, gerando uma significativa quantidade de alimentos e sustentando importantes usos e atividades. Uma das estratégias para a conservação da integridade dos ecossistemas costeiros passa pelo estabelecimento das UC. De forma preocupante, no Brasil, as UC, em sua grande maioria, apresentam problemas de governança, com reflexo direto na qualidade da sua administração e na sua eficácia para atingir os objetivos que justificam sua criação. Esses problemas, a princípio, podem estar relacionados à falta: de uma boa gestão; de uma estrutura adequada da unidade; e de uma efetiva educação ambiental e gestão participativa da comunidade local. Foram detalhados os aspectos de influência endógenos, além daqueles aspectos exógenos que podem interferir no processo de governança dessas Unidades. Os resultados demonstram que há forma organizada e lógica de representar a governança, apresentando-se dois conjuntos de resultados importantes para esta tese. O primeiro, denominado Modelo de Análise Básico, serviu de base para a organização dos dados a serem obtidos e como eles se moldam e se modificam - ou não - ao longo do tempo. O segundo conjunto, chamado de Modelo Funcional, é uma representação que combina aspectos temporais (fatos sucessivos de formação/construção) com processos e influência/controle (endógenos e exógenos). O Modelo de Análise Básico mostrou que a estrutura em todo o histórico da ESEC Carijós não avançou do patamar "regular"; a educação ambiental variou de "negativa" na sua criação a "favorável" em dois períodos, sendo a gestão participativa regular em somente um período e inexistente nos demais. Houve ponto favorável para os três gestores analisados realizando uma boa gestão, dentro da condição apresentada a cada um. Já o segundo conjunto de resultados demonstrou que uma gestão não se faz somente por uma vontade da gestão local e sua comunidade de entorno, já que depende também de fatores externos e, muitas vezes, alheios a necessidade local. Dessa forma, fica evidente nesta pesquisa que a análise de um sistema para uma governança eficiente é muito mais complexa do que inicialmente considerado, e que fatores endógenos e exógenos influenciam de forma diferenciada no tipo de resultado alcançado. Finalmente, fica indicada como necessária uma visão dinâmica/funcional (sistêmica) para a compreensão dos aspectos estruturantes e do controle da governança em UC.