Título

As representações sociais: análise temporal em função da existência da legislação das Áreas de Proteção e Recuperação dos Mananciais (APREM) do município de São Carlos-SP - bacia hidrográfica Ribeirão do Feijão (BHRF)

Programa Pós-graduação
Ciências Ambientais
Nome do(a) autor(a)
Davi Fortes Galvão
Nome do(a) orientador(a)
Juliano Costa Gonçalves
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2018
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A reflexão em torno das práticas sociais num contexto urbano marcado pela deterioração permanente do ambiente construído e do seu ecossistema, não pode prescindir da análise dos fatores determinantes do processo e seus atores nem das formas de organização social. Este estudo avaliou se a Lei das Áreas de Proteção e Recuperação de Mananciais (APREM) que contribuiu significativamente para a conservação ambiental da Bacia Hidrográfica do Ribeirão do Feijão (BHRF) no município de São Carlos durante sua vigência (2006 a 2016) buscando entender a ligação entre as atividades humanas, o contexto social local, mudança no uso da terra e os reflexos dessas dinâmicas na conservação do meio ambiente, proporcionando assim uma base para o uso sustentável e gestão dos recursos ambientais de São Carlos e outras regiões. As entrevistas realizadas com moradores locais e especialistas, levantou as representações sociais (RS) atribuídas a BHRF analisando o que as RS podem expressar sobre os pensamentos e relações que os indivíduos mantêm com os órgãos de fiscalização, com o Estado e com as leis ambientais. Essas expressões deram significado a percepção da população local sobre o estado de conservação da vegetação do entorno de onde vivem. A verificação da eficácia da Lei APREM e sua influência na conservação da BHRF-SC, foi facilitada por ferramentas de sistemas de informação geográfica que obtiveram dados dos anos de 2006, 2011 e 2016 comparando esses dados entre si e também com os municípios vizinhos (Itirapina e Analândia) que também fazem parte da BHRF sob influência da lei APREM. Verificou-se uma diferença entre as RS dos moradores locais, voltada principalmente para suas atividades produtivas e de subsistência, e as RS dos especialistas, voltadas para o abastecimento urbano. Essas diferenças nas RS sobre a BHRF geram conflitos posto que os especialistas também são responsáveis pela elaboração de leis ambientais na BHRF as quais os moradores locais estão sujeitos. As RS levantadas pelas entrevistas com os moradores locais da BHRF demandaram novas análises sobre RS, destacando-se as mais impactantes ao ambiente (representações sociais mais impactantes -RSMAI) e as representações sociais menos impactantes (RSMEI). As RSMAI estão relacionadas a subsistência, ao abastecimentos e uso doméstico, enquanto as RSMEI referem-se a BHRF como um local afetivo, ligado as seguintes abordagens:1) bem-estar e admiração, 2) a dinâmica ambiental e 3) água é vida. Em relação as análises dos dados de uso e cobertura do solo observa-se que no período compreendido entre 2006 (ainda sem a influência da lei APREM) e 2016, que as áreas florestais na BHRF-SC tiveram um aumento de 36,89% (de 25.94% da área para 35.51%). Já na parte da BHRF-Itirapina/Analândia a vegetação florestal passou de 16,02% para 18,83%, um aumento relativo de 17,54%. Em relação as áreas de preservação permanente (APPs) na BHRF-SC sob jurisdição da lei APREM, constatou-se que no mesmo período, as áreas de APPs tiveram um aumento de 16,42% sendo que na BHRF Itirapina/Analândia registrou-se um aumento de 11,1%. A percepção ambiental em relação ao estado de conservação da floresta mostrou coerência com os resultados da pesquisa em que 53,85% dos moradores entrevistados acreditaram que a vegetação florestal está aumentando, 26,92% afirmou que se manteve estável e 19,23% acredita que a vegetação está diminuindo. Em relação a importância dos órgãos de fiscalização, 69% dos moradores locais entrevistados acreditam que são importantes para a conservação ambiental, 23% para orientação e educação ambiental e 8 % demonstraram repulsa a esses órgãos. Quanto ao conhecimento da lei APREM por parte dos moradores, nenhum dos entrevistados pareceu conhecê-la; apenas tem algum conhecimento em relação a proteção de APPs e corte de arvores em geral.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
22/08/2022