Título

Zoológicos de Santa Catarina: educação ambiental. políticas públicas e o futuro da conservação faunística

Programa Pós-graduação
Ciência e Tecnologia Ambiental
Nome do(a) autor(a)
Maria Amélia Pellizzetti
Nome do(a) orientador(a)
Joaquim Olinto Branco
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2020
Dependência Administrativa
Privada
Resumo

Os zoológicos são considerados atualmente como centros de conservação da biodiversidade, tendo tido suas funções alteradas ao longo do tempo. Passando por processos de evolução e modernização para a conservação, acredita-se que as práticas associadas ao bem-estar animal devem estar intimamente relacionadas com programas ambientais, procurando melhorar o conhecimento dos visitantes e a imagem dos zoológicos. Reconhecer essas instituições como espaço ou até mesmo instrumento para o desenvolvimento da Educação Ambiental (EA) se faz primordial, podendo conduzir melhores resultados para a conservação da vida silvestre. Partindo-se da hipótese que a percepção dos visitantes de zoológicos se modifica em decorrência das políticas públicas de conservação da fauna ex situ e de EA em vigor, buscou-se avaliar as mudanças temporais sobre a existência, função e estrutura como instrumentos educativos ambientais, em quatro zoológicos de Santa Catarina. A pesquisa foi dividida em três etapas: a análise da legislação pertinente, a avaliação da percepção de visitantes de parques zoológicos e o acompanhamento das discussões atuais sobre a conservação de fauna ex situ no Brasil. Os resultados demostram pouca evolução das políticas públicas nos últimos anos. Houve a proposição de Projetos de Lei específicos, demonstrando a ausência de diálogo entre corpo técnico, visitantes e legisladores. As políticas públicas para a conservação ex situ trazem a questão educativa ambiental em segundo plano, não servindo assim de instrumento de fomento direto das práticas desenvolvidas em zoológicos. As políticas relacionadas aos zoológicos estão defasadas e existem lacunas que permitem a continuidade dos dilemas, dos contrassensos e do imaginário sobre a conservação. Ao longo do período avaliado (2000-2019) observa-se uma flutuação das percepções e suas inter-relações para a definição do que é um zoológico ideal ou das razões para sua existência. Apesar disso, observa-se um padrão bem definido estatisticamente, correlacionando as questões com as idades dos visitantes. Esse padrão pode servir de subsídios à equipe técnica das instituições zoológicas, estimulando uma educação crítica e emancipatória, transformando-os em verdadeiros espaços educadores sustentáveis. A preferência de alguns visitantes por santuários ao invés do zoológico pode demonstrar a ausência de conhecimento sobre o funcionamento de ambas as instituições, por não haver definição legal ou normas específicas para a criação e manutenção dos animais em santuários ou por não reconhecerem os esforços para a conservação ex situ. Por fim, verificou-se que as atividades propostas nas instituições pesquisadas, em especial às de atendimento de alunos de escolas do ensino formal, colocam o zoológico como executor de uma educação para o ambiente, adequada aos objetivos definidos por cada grupo visitante, interferindo na função dos zoológicos como protagonista do processo educativo ambiental. Os resultados enfatizam a necessidade de maior investimento por parte das instituições, não só apenas na estrutura e funcionamento dos seus espaços, mas na comunicação e no marketing para o público interessado em discutir a questão em nosso país, bem como de estabelecimento de políticas públicas promissoras, que englobem e estimulem efetivamente todas as funções das instituições zoológicas para a conservação ex situ no Brasil.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
22/08/2022