Título
Zoológicos de Santa Catarina: educação ambiental. políticas públicas e o futuro da conservação faunística
Os zoológicos são considerados atualmente como centros de conservação da biodiversidade, tendo tido suas funções alteradas ao longo do tempo. Passando por processos de evolução e modernização para a conservação, acredita-se que as práticas associadas ao bem-estar animal devem estar intimamente relacionadas com programas ambientais, procurando melhorar o conhecimento dos visitantes e a imagem dos zoológicos. Reconhecer essas instituições como espaço ou até mesmo instrumento para o desenvolvimento da Educação Ambiental (EA) se faz primordial, podendo conduzir melhores resultados para a conservação da vida silvestre. Partindo-se da hipótese que a percepção dos visitantes de zoológicos se modifica em decorrência das políticas públicas de conservação da fauna ex situ e de EA em vigor, buscou-se avaliar as mudanças temporais sobre a existência, função e estrutura como instrumentos educativos ambientais, em quatro zoológicos de Santa Catarina. A pesquisa foi dividida em três etapas: a análise da legislação pertinente, a avaliação da percepção de visitantes de parques zoológicos e o acompanhamento das discussões atuais sobre a conservação de fauna ex situ no Brasil. Os resultados demostram pouca evolução das políticas públicas nos últimos anos. Houve a proposição de Projetos de Lei específicos, demonstrando a ausência de diálogo entre corpo técnico, visitantes e legisladores. As políticas públicas para a conservação ex situ trazem a questão educativa ambiental em segundo plano, não servindo assim de instrumento de fomento direto das práticas desenvolvidas em zoológicos. As políticas relacionadas aos zoológicos estão defasadas e existem lacunas que permitem a continuidade dos dilemas, dos contrassensos e do imaginário sobre a conservação. Ao longo do período avaliado (2000-2019) observa-se uma flutuação das percepções e suas inter-relações para a definição do que é um zoológico ideal ou das razões para sua existência. Apesar disso, observa-se um padrão bem definido estatisticamente, correlacionando as questões com as idades dos visitantes. Esse padrão pode servir de subsídios à equipe técnica das instituições zoológicas, estimulando uma educação crítica e emancipatória, transformando-os em verdadeiros espaços educadores sustentáveis. A preferência de alguns visitantes por santuários ao invés do zoológico pode demonstrar a ausência de conhecimento sobre o funcionamento de ambas as instituições, por não haver definição legal ou normas específicas para a criação e manutenção dos animais em santuários ou por não reconhecerem os esforços para a conservação ex situ. Por fim, verificou-se que as atividades propostas nas instituições pesquisadas, em especial às de atendimento de alunos de escolas do ensino formal, colocam o zoológico como executor de uma educação para o ambiente, adequada aos objetivos definidos por cada grupo visitante, interferindo na função dos zoológicos como protagonista do processo educativo ambiental. Os resultados enfatizam a necessidade de maior investimento por parte das instituições, não só apenas na estrutura e funcionamento dos seus espaços, mas na comunicação e no marketing para o público interessado em discutir a questão em nosso país, bem como de estabelecimento de políticas públicas promissoras, que englobem e estimulem efetivamente todas as funções das instituições zoológicas para a conservação ex situ no Brasil.