Título
Proposta de um sistema de trilhas interpretativas para o parque estadual da Serra do Conduru, Bahia, Brasil
As áreas protegidas vêm ganhando espaço à realização de atividades de educação ambiental, com destaque aos parques. As trilhas interpretativas (TIs) são utilizadas como instrumento educativo dentro das Unidades de Conservação (UC) e são aproveitadas como incentivo a atitudes conscientes em áreas protegidas e uso de atividades para esse fim. Devido a isto a percepção dos visitantes é muito importante, pois se trata da compreensão deles acerca do que é observado nas trilhas, porém é notada a falta de entendimento que os visitantes têm sobre a finalidade de uma UC e manejo de trilha. Assim, o parque Estadual da Serra do Conduru (PESC), área de estudo da pesquisa, demanda atualmente por uma requalificação de suas trilhas para atingir os objetivos da educação ambiental. O PESC localiza-se na Região Sul da Bahia abrangendo os municípios de Ilhéus, Itacaré e Uruçuca, totalizando 9.275 hectares. Essa UC configura uma área de proteção integral inserida no Corredor Central da Mata Atlântica, considerada um dos principais centros de endemismo. Este trabalho visa elaborar uma proposta de um sistema trilhas interpretativas subdividido em duas etapas: na primeira a definição dos pontos interpretativos; a segunda o estabelecimento da capacidade de carga antrópica nas trilhas definindo-se limites para visitação pública. A obtenção dos dados ocorreu nas cinco trilhas encontradas no PESC, no período de 03 a 04 de maio, 19 de outubro, 05 a 09 de novembro e 03 a 07 de dezembro de 2018. O traçado e a marcação dos pontos de paradas foram feitos com a utilização de receptor GNSS (Global Navigation Satelite System) Portátil Garmin (GPSMAP 73), assim como a distância e o tempo necessários para o deslocamento na trilha. Os dados coletados foram descarregados em um computador com auxílio do software BaseCamp Garmin e com posterior edição no programa de geoprocessamento ArcGIS. Avaliou-se o potencial das cinco Trilhas existentes no parque utilizando uma adaptação das metodologias de caracterização biofísica da trilha e o Índice de Atratividade dos Pontos Interpretativos (IAPI) proposto por Magro e Freixêdas (1998). Por meio do IAPI concluiu-se que as TIs são atrativas possuindo espécies arbóreas endêmicas, nobres, ameaçadas de extinção e de beleza cênica, além de cursos d'água, mirantes e cachoeira. Os pontos de interpretação selecionados ressaltam a riqueza de endemismo e biodiversidade do local, temas que podem ser discutidos em roteiros interpretativos nas trilhas. Aplicou-se também o método de Avaliação da Capacidade de Carga formulado por Cifuentes (1992) e fundamentado em trabalho de campo. Os resultados sugerem que as trilhas localizadas no parque têm capacidade de receber 1.808 para o Mirante, 1.496 para Represa, 1.076 para Passarela, 696 para Conduru e 1.044 Cachoeira São José visitantes/por dia, sem causar danos ambientais importantes. Não obstante foram consideradas como fatores de correção para o cálculo as características de erodibilidade, precipitação e correção social. O fator de correção que influenciou negativamente a capacidade de 9 carga real de todas as trilhas foi o de erodibilidade, seguido da precipitação. Os dados do estudo permitem sugerir que os planos de gestão devem considerar os limites ecológicos, avaliando as características das trilhas quanto a sua capacidade de carga proposta no estudo. Estes métodos são importantes instrumentos de gestão que poderão ser adotados pelos gestores do PESC.