Título
O mal-estar na crise ambiental: uma contribuição da psicanálise à educação ambiental
O campo da Psicanálise e Meio Ambiente se sustenta no entendimento de que as questões ambientais, para além da dimensão objetiva, ou seja, das disputas espaciais e materiais pelo acesso e uso de recursos, possuem uma dimensão metapsicológica. Essa dimensão remete às distintas formas dos laços sociais, seus sentidos e significados dentro de um determinado território. Por isso, entende-se que a compreensão da crise ambiental deve ser tomada a partir da matriz estrutural social e metapsicológica e não somente nas suas dimensões biofísicas. É fato que a alteração física do objeto (no caso, o planeta) não interessa em si mesmo - na medida em que é visto simplesmente como um problema físico - mas sim naquilo que concerne à vida e, consequentemente, do ponto de vista da responsabilidade do sujeito sobre a sua manutenção. Essa foi uma das possibilidades onde se instaurou o diálogo com a Psicanálise, pois o tema da responsabilidade, com respeito a uma situação qualquer, participa do campo analítico. Para sustentar essa afirmação, procedeu-se uma investigação a partir da teoria freudiana, fundamentada, principalmente, nas categorias da pulsão, do além do princípio do prazer, do supereu e do sintoma. A partir disso, percebeu-se que a crise ambiental é um sintoma, de maneira análoga ao conceito freudiano, espelhando uma verdade sobre o sujeito e interrogando o sentido de uma civilização, enquanto a Educação Ambiental é o campo social a ser beneficiado por essa proposta. Esse debate evidenciou o intenso sofrimento psíquico daqueles que vivem em situação de injustiça socioambiental, enfatizando a busca por respostas singulares para tais práticas educativas.