Título
Educação, educação ambiental e investimento social: um olhar a partir de escolas municipais em Duque de Caxias, RJ
A tese investigou a entrada dos projetos de educação e educação ambiental das empresas do polo petroquímico de Campos Elíseos - capitaneadas pela Refinaria Duque de Caxias (REDUC) - , Duque de Caxias, RJ, em escolas municipais do entorno. A crise estrutural que assola o capitalismo desde o final da década de 1960 engendra um movimento de reação das classes dominantes em busca da recomposição do seu padrão de acumulação. Sob hegemonia da fração financeira do capital, as classes dominantes operam uma contrarreforma, que reconfigura as funções do Estado, redefine as relações capital-trabalho e busca educar um consenso, no seio das classes trabalhadoras, em torno dessas novas sociabilidades. É nesse contexto que as empresas vêm buscando "humanizar" sua relação com a população de seu entorno, a partir do Investimento Social Privado (ISP). A pesquisa buscou averiguar como as ações de ISP de três empresas do polo, desenvolvidas em sete escolas municipais da região de Campos Elíseos, colaboram para a criação de um "espaço de consenso" em torno das atividades do polo petroquímico. A partir de um referencial teórico que se baseia no materialismo histórico, nas formulações de Gramsci e na educação ambiental crítica, utilizamos uma metodologia qualitativa, com a triangulação entre a análise documental, a observação participante e as entrevistas semiestruturadas com professores das escolas. Concluímos que o ISP das empresas em Campos Elíseos tem uma dupla determinação: a) projetos de educação e educação ambiental desenvolvidos nas escolas que consolidam uma "pedagogia do mercado", que se consubstancia na precarização do trabalho docente, na adesão da maioria dos professores aos projetos e na construção de uma educação utilitarista que promove a formação de mão de obra para o trabalho simples e a conformação dos alunos com a condição subalternas que a sociedade lhes reserva e b) a consolidação da região de Duque de Caxias como um espaço subalterno em relação ao ISP, já que constatamos a quase inexistência de projetos voltados para a conservação de ecossistemas ou mitigação de danos às bacias hidrográficas e aéreas ou aos manguezais, ações essas que, embora sejam incipientes e conservadoras - da perspectiva teórica adotada pela pesquisa - acontecem com frequência em outras áreas do país e do estado Rio de Janeiro, onde essas mesmas empresas atuam.