Título
Ressignificando os conflitos socioambientais na perspectiva dos saberes ancestrais de educadoras populares de Suruí (Magé)
O presente trabalho tem como objetivo analisar as percepções que as educadoras comunitárias de uma OSCIP de Educação popular e ambiental possuem dos conflitos socioambientais de Suruí, Magé. Além disso, buscamos identificar suas possíveis estratégias de resistência e contribuições para a Educação Ambiental e para o Ensino de Ciências. Essas educadoras são filhas de pescadores artesanais, erveiras e benzedeiras, trazendo consigo uma riqueza de saberes ancestrais e bioculturais que tem contribuído para sua sobrevivência e para o enfrentamento dos conflitos socioambientais do entorno. Estruturados em outras matrizes de conhecimento, esses saberes trazem uma dimensão de conexão sagrada com a natureza que desafiam a colonialidade cosmogônica, uma racionalidade própria que coloca em xeque a colonialidade do saber, um folclore e superstições que permeiam uma colonialidade do ser e uma validação comunitária e de relações de troca que questionam a colonialidade do poder. Utilizamos de métodos qualitativos como a história oral para a estruturação dos encontros e validação dessas memórias, a autoetnografia para a formação de um cenário pandêmico e a Análise Textual Discursiva (ATD) na análise dos dados produzidos. Os resultados encontrados nos sugerem que esses saberes ancestrais presentes em suas vidas as ajudam no enfrentamento das condições impostas pelos conflitos nessas localidades e que essas estratégias de resistências são potenciais temáticas para serem abordadas pela Educação Ambiental e pelo Ensino de Ciências.