Título
Tradição quilombola e ciência: Desvendando o “Mangue de Pedra” da Rasa, Armação dos Búzios- RJ.
Armação dos Búzios (RJ) é uma cidade com economia baseada no turismo e passa por um processo de urbanização que ameaça, dentre outros ecossistemas, o Mangue de Pedra na Rasa, objeto deste estudo, que está intimamente relacionado com a história e tradição da comunidade quilombola da Rasa. Este trabalho reuniu os conhecimentos científicos (por meio de levantamento bibliográfico) e tradicionais (por meio de entrevistas com quilombolas e observação participante) além de dados sobre a representação ambiental de estudantes do Ensino Médio do Colégio Municipal Paulo Freire (obtidos a partir de questionários) sobre o ecossistema Mangue de Pedra, localizado no bairro Arpoador em Armação dos Búzios - RJ, para embasar práticas de educação ambiental crítica. Os estudos científicos se concentram na área da Geologia e explicam a especificidade deste manguezal sem rio, bem como a importância da conservação dos ecossistemas associados. O Mangue de Pedra está inserido na APA Mangue de Pedra, uma unidade de conservação de uso sustentável, que não garante a proteção integral do ecossistema e dos costumes associados a ele, sendo a Reserva de Desenvolvimento Sustentável uma alternativa mais viável. O local faz parte da memória da comunidade quilombola da Rasa e guarda costumes que se ressignificam até hoje, como a coleta de animais com nomes populares próprios da localidade, em uma lógica de proteção, feito principalmente por mulheres. A divulgação desses conhecimentos é urgente e contribui para a construção da identidade quilombola, ajudando a mobilizar para a luta pela titulação das terras e por outros direitos. A escola é a maior responsável pela divulgação dos conhecimentos científicos sobre o Mangue de Pedra aos estudantes, transmitindo a importância de sua conservação devido a sua raridade, mas não consegue sozinha atender a todos os estudantes de forma aprofundada: a maioria não conhece as características físicas, biológicas e culturais do local. Atividades de educação ambiental crítica, realizadas dentro ou fora da escola, podem atingir estudantes e suas famílias, incluindo a divulgação dos conhecimentos tradicionais, o que contribui para a luta pela conservação do Mangue de Pedra e pela valorização da tradição quilombola.