Título

A ambientalização curricular docente na formação (de)colonial: proposições a partir do radicalismo horizontal de Paulo Freire

Programa Pós-graduação
Ambiente e Sustentabilidade
Nome do(a) autor(a)
Daniela Vieira Costa Menezes
Nome do(a) orientador(a)
Rosmarie Reinehr
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2020
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

A partir de uma análise documental da legislação educacional vigente, entende-se que as ações socioambientais na escola devem integrar o ecológico e o pedagógico, em uma ambientalização do currículo da educação básica, mesmo com o esvaziamento da questão ambiental na Base Nacional Comum Curricular - BNCC (BRASIL, 2017). Visando promover a formação continuada para a educação ambiental na Rede Municipal de Ensino de Novo Hamburgo, propõe-se uma Pesquisa Participante e um curso teórico com acompanhamento pedagógico para professores da EMEF Maria Quitéria. Para tanto, a pesquisa bibliográfica utiliza-se dos conceitos presentes no legado de Paulo Freire (2002; 1987; 1967), em uma atualização a partir da perspectiva da decolonialidade, em uma visão crítica da educação ambiental, articulando a justiça ambiental (ACELRAD, 2005) e o Bem Viver (ACOSTA, 2016), como pressupostos de uma metodologia pedagógica horizontalizada entre professores e estudantes. Ao analisar o contexto da rede e da escola pesquisadas, percebeu-se que a formação docente atual faz parte do contexto da colonialidade, pois seleciona conhecimentos científicos e pedagógicos de acordo com a colonialidade epistemológica que esvazia os modos de ser, de fazer e de pensar do professor. Entretanto, é no cotidiano da escola que professores constroem proposições didático-metodológicas para a descolonização do currículo, com inéditos-viáveis (FREIRE, 1987) que integram o ambiental de forma interdisciplinar e transversal. Com o radicalismo horizontal, defendido por Freire (1967), como operador prático-conceitual, a pesquisa estrutura um formato de formação continuada intitulado Ciclo de Estudo para a Integrabilidade Docente - o CEID, como uma proposta interativo-reflexiva (CHANTREINE-DEMAILLY, 1997) que visa à recomposição docente (NÒVOA, 2017) e qualifica o processo de ambientalização curricular, já iniciado pela rede. Propõe-se, então, uma formação continuada centrada na escola, horizontalizando o planejamento docente, em uma proposição inspirada nas pedagogias da Didática Freiriana (DICKMANN; DICKMANN, 2018), visando a ambientalização curricular da escola. No CEID, enquanto produto da pesquisa, professores de um grupo escolar realizam uma reflexão coletiva para identificação de situações-limite (FREIRE, 1987) que fazem parte do cotidiano socioambiental de sua comunidade escolar, seguindo perspectivas críticas da educação ambiental. Para tanto, a integrabilidade docente, ao tensionar o "integrável" dos professores, radicaliza a interação a partir do diálogo, como expressão da metodologia pedagógica horizontalizada, propondo a corporificação da formação no planejamento. Conclui-se que o CEID reafirma a posição político-ética da pedagogia da autonomia (FREIRE, 2002), ao promover o encontro entre pares em um processo de ambientalização da formação docente que fomenta a ambientalização curricular na escola e qualifica o processo na rede.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Data de Classificação:
22/08/2022