Título
Topofilia e educação ambiental: estudo das percepções e representações ambientais da comunidade tradicional caiçara da lha Diana/Santos-SP
O presente estudo de caso teve como objetivo investigar as percepções e representações ambientais da comunidade tradicional caiçara da Ilha Diana, localizada próxima ao Complexo Portuário do município de Santos/SP, de maneira a compreender a problemática socioambiental ali presente e como isso ameaça ou não a permanência da identidade cultural caiçara. Para conduzir uma análise ambiental integrada da questão, esta pesquisa se alicerçou em três dimensões: 1) Levantamento bibliográfico a respeito de pesquisas já realizadas nessa comunidade; 2) Pesquisa de campo estruturada em estudos de percepção e representação ambiental, por meio da aplicação de questionários às crianças que frequentam a Escola Municipal Rural da Ilha Diana (UME Rural - Ilha Diana) e aos moradores mais velhos da comunidade; 3) Elaboração de uma proposta de Educação Ambiental, baseando-se nos estudos de percepção/representação realizados. A pesquisa contou com 25 participantes ao total, sendo 14 crianças de 4 a 10 anos de idade e 11 adultos com idade média de 52 anos. A abordagem utilizada foi qualitativa e as técnicas de análise dos questionários foram: análise de desenhos, análise de conteúdo e nuvem de palavras. As análises mostraram que os participantes percebem o manguezal como importante provedor de recursos pesqueiros, representação enquadrada como antropocêntrica e naturalista. Ao mesmo tempo, os participantes perceberam a degradação causada pelo processo de expansão portuária o que pressupõe o entendimento sobre a relação conflituosa existente entre o Porto de Santos e o manguezal. Além disso, os participantes relataram intensa relação afetiva à Ilha Diana, fatores que auxiliam a manutenção da identidade cultural e incentivam o sentimento de pertencimento ao lugar. Por fim, a proposta de atividade de Educação Ambiental objetivou conciliar os conhecimentos científicos e tradicionais sobre manguezal, buscando aproximar as crianças e adultos da comunidade com o lugar que vivem e sua história, de maneira a fortalecer a identidade cultural e incentivá-los na luta por seu território tradicional.