Título
A realidade local como instrumento de transversalidade da educação ambiental no ensino médio
A experiência aqui relatada foi concebida na relação entre os princípios da Educação ambiental crítica e do ensino de biologia em uma perspectiva investigativa. O presente trabalho propôs envolver os educandos do primeiro ano do ensino médio de uma escola estadual de Vila Velha-ES na produção de fotos e vídeos sobre a realidade socioambiental do entorno da escola como forma de transversalizar o tema meio ambiente. Para isso, desenvolveram-se três sequências didáticas investigativas. Para o desenvolvimento das sequências didáticas adotaram-se os princípios da Educação ambiental crítica e da pesquisa-ação. Na primeira sequência didática avaliou-se a percepção dos estudantes sobre o conceito de meio ambiente e desenvolveram-se atividades investigativas a partir da produção de fotografias sobre o ambiente do entorno da escola seguida de produção de texto descritivo da realidade. Seguindo-se as questões e hipóteses colocadas pelos alunos, a atividade finalizou com a abordagem dos conteúdos de botânica que subsidiaram um projeto de plantio de árvores nativas. Na segunda sequência didática abordou-se questão da poluição da água, questão indicada pelos estudantes como a mais relevante para a comunidade. A partir disso, os estudantes levantaram questões e hipóteses sobre o histórico de degradação do rio que corta a comunidade. As pesquisas dos estudantes conduziram para o estudo do processo da eutrofização e outros conceitos associados com a realização de um experimento para testar suas hipóteses sobre os efeitos da poluição na água. A terceira sequência didática teve origem nos relatos, questionamentos e indignação dos estudantes sobre os dramas que suas famílias vivem no período da pandemia da Covid-19. A partir dos relatos a professora identificou a temática injustiça ambiental como conceito potencial para ajudar os estudantes a compreenderem as interações sociais e ecológicas presentes nos efeitos da Pandemia. Após a sistematização dos problemas elencados pelos estudantes a professora envolveu a turma em uma pesquisa sobre o mapa das injustiças ambientais no Brasil. Após estudo de um caso relativo ao município de Vila Velha os estudantes foram apresentados aos textos que traziam reflexões sobre os conceitos relativos à injustiça ambiental. Em seguida, foram motivados a registrarem em vídeos as realidades locais que, em sua ótica, refletiam as injustiças ambientais. As imagens foram organizadas e editadas para a produção de um vídeo documentário. Ao final do processo, pode-se afirmar que ao pautar as sequências didáticas na realidade dos estudantes o processo de ensino atuou como uma ferramenta que permitiu dar significado à construção do conhecimento crítico investigativo dos alunos. Especialmente, isso ficou bastante evidenciado quando a Professora se apropriou dos problemas vivenciados pelos estudantes em função da Pandemia da Covid-19 para balizar sua prática docente. A partir dos9 resultados obtidos e das reflexões da experiência organizou-se um material contendo orientações sobre o uso de fotos e vídeos como ferramentas para mediarem a transversalização do tema meio ambiente. Além disso, apresentam-se sugestões de sequências didáticas para auxiliar os professores do ensino médio a se apropriarem do ensino por investigação.