Título
A educação ambiental na construção do pertencimento do sujeito da escola do campo
A asserção de que a Educação Ambiental (EA) tem uma grande relevância na formação da criticidade do ser humano é ainda mais evidenciada na escola do campo, principalmente por atender as especificidades do campesino que fora esquecido historicamente no contexto educacional. Este estudo se consolidou na busca de informações que verificassem a importância da interlocução entre os conteúdos da EA e as metodologias da Educação do Campo (EC), especialmente no desenvolvimento do sentido de pertencimento do campesino para valorização da sustentabilidade local. A escola é uma ferramenta de transformação, para tanto, é fundamental que promova ações concretas e relevantes que levem em consideração o conhecimento acumulado ao longo do tempo e a cultura local, de forma que, o processo de ensino-aprendizagem seja significativo e transformador. Nesse sentido, esse trabalho se justifica pela necessidade de relacionar a ciência e a rotina diária; o conhecimento científico e o construído historicamente e a EA e a EC, com o intuito de construir práticas pedagógicas que proporcionem um sentimento de pertença ao meio onde os sujeitos das escolas do campo estão inseridos. Trata-se de um trabalho de pesquisa e extensão universitária por envolver a comunidade escolar, promovendo possibilidades de mudanças na localidade onde está localizado o objeto de estudos. O objetivo principal deste estudo foi analisar o desenvolvimento do sentido de pertencimento do sujeito da escola do campo por meio de ações de Educação Ambiental relacionadas à sustentabilidade. Para tanto, o estudo foi organizado em três capítulos. O Capítulo 1 apresenta uma revisão bibliográfica sobre a aplicabilidade dos conteúdos na escola do campo como forma de desenvolvimento do sentido de pertencimento do campesino. No Capítulo 2, encontra-se um estudo de caso da Escola Estadual do Campo Padre Antônio Vieira ? Ensino Fundamental para um possível diagnóstico sobre a visão da comunidade escolar quanto aos aspectos da sustentabilidade. No Capítulo 3, há uma análise dos discursos dos educandos após a realização de sete ações de educação ambiental. Para tanto, utilizou-se o método de categorização denominado Análise do Conteúdo, com inferências de acordo com os eixos do tripé da sustentabilidade. Durante este estudo, constatou-se que a comunidade escolar não valorizava a instituição de ensino como agente de transformação social e que eram pouco relevantes os conteúdos de EA referentes à sustentabilidade local. Após a realização de ações de EA, percebeu-se que os educandos começaram a despertar para a necessidade de conhecerem melhor o local onde vivem e aplicarem os conhecimentos da educação formal no cotidiano. Dessa forma, possibilitou-se o desenvolvimento do sentido de pertencimento, capaz de refletir na melhoria da qualidade de vida, nos aspectos sociais, econômicos e ambientais. Ainda, foi possível constatar que simples ações de EA estimularam o interesse pela aprendizagem. Esse estudo vem ao encontro da necessidade de capacitação do homem do campo para que se reconheça como sujeito de direitos e deveres, capaz de mudar o local onde vive.