Título

Re-considerando a educação ambiental e a educação democrática a partir da decolonialidade: Um estudo sobre a escola democrática de Huamachuco (Peru)

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Stephanie di Chiara Salgado
Nome do(a) orientador(a)
Celso Sanches Pereira
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2020
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A descolonização é um processo de desaprendizagens, que podem constituir processos decoloniais, como uma maneira de liberta-se de tudo aquilo que foi imposto pela violência colonial e que segue sendo imposto pela hegemonia neoliberal. Sendo assim, falamos de desaprendizagens como uma Educação política posicionada na reelaboração das estruturas sociais vigentes, visando superar as desigualdades sociais, a pobreza, a fome, o racismo, o sexismo e a catástrofe ambiental planetária. Uma vez que não se pode dissociar a questão ambiental da crise do capitalismo e vice-versa, e tampouco dissociar a crise da democracia à crise do capital, trabalhamos com alguns aforismas: 1- só é possível construir democracias reais na América Latina, e no mundo, com a descolonização, pois só é possível democracia com justiça socioambiental e cognitiva; 2- a democracia e os processos democráticos devem ser aprendidos e praticados; 3- práticas pedagógicas decoloniais e democráticas têm como horizonte a transformação do mundo; 4- uma prática pedagógica decolonial aponta também para a superação da exploração da natureza; 5- vencer o colapso ambiental exige educação, cultura, lazer e reconhecimento do direito de ser e existir dos diferentes povos fora do padrão de desenvolvimento ocidental eurocêntrico. Seguindo neste debate sobre as finalidades da Educação chegamos à Escola Democrática de Huamachuco (EDHU), no Peru, como um projeto de educação em liberdade que surge do ativismo político-social-comunitário, como uma semente de transformação frente ao contexto de devastação socioambiental imposto pela mineração em larga escala àquele território. Iremos imergir no estudo desta escola, como um laboratório para experimentação de práticas outras, as quais temos identificado correlações com as aspirações de uma pedagogia decolonial. A Educação Ambiental (EA) irá atravessar as discussões sobre a EDHU, em função do seu contexto de conflito ambiental e dos desafios de se praticar pedagogias democráticas frente ao cenário de morte causado pelo neoextrativismo. Buscamos costurar a EA e a Educação Democrática, tendo como fio condutor o Giro Decolonial. Tais discussões nos ajudaram a requalificar este debate dentro da pesquisa em Educação, que vem associando as escolas democráticas a um movimento liberal progressista e a educação democrática a um movimento classista. Concluímos que repensar as práticas pedagógicas não necessariamente caminha para a superação dos sistemas de opressão estruturais, mas a superação de todas as formas de opressão e a construção de um novo projeto societário requer a reconfiguração das práticas pedagógicas, e é nesse sentido que podemos conjugar os debates sobre escolas e educação democrática. Estudiosos têm sistematizado que as Escolas Democráticas se orientam por dois pilares fundamentais: a) currículos flexíveis, atentos aos interesses e demandas dos estudantes; e b) gestão democrática, onde estudantes participam ativamente dos processos de tomada de decisão; ambos em conjunto com a comunidade de aprendizagem. Concordamos e incluímos mais dois pilares: c) universalização do acesso à Educação, com foco na defesa de que ela seja pública, laica e gratuita; d) combate a todas as formas de opressão, visando a superação da colonialidade. Ao incorporar o debate decolonial e ambiental crítico, que nomeamos como uma Educação Ambiental desde el Sur, a Educação Democrática reconfigura esses quatro pilares, constituindo-se como uma experiência territorializada em educação democrática, e por isso, latino-americana.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Data de Classificação:
22/08/2022