Título
O mapa social: o germinar e florescer de uma metodologia participativa e decolonial
Esta pesquisa debruçou-se no estudo dos dez anos (2008-2018) do projeto e da metodologia de pesquisa "Mapa Social", buscou-se conhecer seus aspectos metodológicos, os princípios, as produções acadêmicas e populares, e as possibilidades que essa metodologia oferece enquanto uma proposta participativa e decolonial. Adotou-se o recorte do período de dez anos, que engloba o surgimento da metodologia em 2008 até a entrada da pesquisadora no Mestrado em 2018. Realizou-se uma pesquisa qualitativa de cunho participante com foco nas autonarrativas das pessoas envolvidas nos processos do Mapa Social, evidenciando suas vivências, suas percepções e compreensões de como deslumbram o Mapa Social nas suas comunidades, na sua vida e nas suas pesquisas. Para isso, realizou-se observações participantes e onze entrevistas semiestruturadas. Como também, um levantamento bibliográfico das produções relacionadas ao Mapa Social, nesses dez anos que compreendem o estudo, registrando duas teses de doutorado, quatro dissertações de Mestrado, 03 cadernos pedagógicos, 01 livro e outras publicações. O Mapa Social, desde o seu nascimento junto ao Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e seus diversos parceiros, enquanto projeto de pesquisa até a sua consolidação como metodologia de pesquisa, reflete um processo colaborativo. Longe de ser algo pronto e acabado, mas como um lume metodológico de um fazer participativo e decolonial. Traz em si o enraizamento com os princípios da Educação Ambiental Crítica e de Base Comunitária e da Decolonialidade, pois o Mapa Social é um importante instrumento de denúncia e anúncio das chamas da resistência e do reexistir dos povos e comunidades mato-grossenses. Essa metodologia permite denunciar as violações de direitos humanos, os impactos socioambientais, os conflitos, as vulnerabilidades em que se encontram as comunidades. Além de possibilitar a reflexão de temas do cotidiano das comunidades, fomentando um pensar e fazer que reflita as tramas territoriais, os significados comuns e os desafios da sustentabilidade socioambiental do território. O Mapa Social se desdobra em táticas de resistência, subsídio à elaboração de políticas públicas e relatórios de direitos humanos, evidenciando uma Educação Ambiental atuante e comprometida na construção de um mundo mais justo, anunciando a diversidade dos povos, a sua visibilidade e suas lutas.