Título
Do direito a educação às intempéries ambientais: as percepções dos jovens do assentamento Egídio Brunetto - MST
Nesta pesquisa buscamos compreender como o acesso/direito à educação e as vivencias dos/as jovens camponeses sofrem interferências das intempéries ambientais nos processos de ensino-aprendizagem e quais as percepções desses jovens sobre as mudanças climáticas no assentamento Egídio Brunetto-MST, localizado no município de Juscimeira-Mato Grosso, local conhecido por sua belíssima Cachoeira do Prata, ponto turístico e muito atrativo da região. Ressaltamos que o local onde atualmente está localizado o assentamento tratava-se de uma fazenda onde prevalecia o sistema de monocultura (pastagem) apresentando estado de degradação do solo e das fontes de água, consequência do uso irracional dos antigos proprietários. Nos dias atuais, mais da metade das áreas que são destinadas às pastagens estão em algum estado de degradação, e na maioria das vezes são deixadas de lado se tornando improdutivas, sendo, portanto, as mais propicias a serem destinadas para a reforma agraria por não exercerem a sua função social, como é o caso da fazenda que hoje pertence ao assentamento Egídio Brunetto. Essas atividades econômicas que ocasionam a degradação dos recursos naturais também são responsáveis pelo aumento dos desastres relacionados às mudanças climáticas que acabam recaindo de modo desproporcional sobre diferentes grupos em função da vulnerabilidade social e econômica. Neste contexto, a presente pesquisa encontra-se vinculada ao projeto de pesquisa GEAC - Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental Campesina, que busca entender os fenômenos climáticos e os desastres que afetam de forma desigual diferentes grupos sociais. Esta pesquisa tem como singularidade a obtenção de um retrato atual da juventude do assentamento Egídio Brunetto e para o seu desenvolvimento, a metodologia utilizada ocorrerá por meio do estudo de caso, que apresenta procedimentos importantes para coleta de dados cujas informações essenciais para a pesquisa são fornecidas pelos sujeitos envolvidos. Também permite conhecimentos detalhados sobre os sujeitos pesquisados. Para obter as informações que compõem esta pesquisa, realizamos nove entrevistas semiestruturadas sendo oito com a juventude do assentamento e uma com o coordenador que reside no local. Por meio das entrevistas, foi possível conhecermos sobre a realidade atual em que se encontra a juventude do assentamento e as dificuldades encontradas enquanto novos assentados, entre elas podemos mencionar o acesso a escola, as dificuldades econômica e ambiental devido ao estado atual em que se encontram o território do assentamento. Nas narrativas as juventudes desconhecem o termo mudanças climáticas evidenciando os fenômenos/consequências, associando-os a possíveis causas como o uso demasiadamente irracional da terra que havia anteriormente. Assim, ao dar visibilidade aos jovens do assentamento, as dificuldades encontradas e as mudanças climáticas por meio desta pesquisa podemos perceber a importância desta abertura para os/as jovens do local, democratizando informações, reconhecendo a importância do campesinato e da juventude para sua continuidade.