Título
Conexão com a natureza, percepção ambiental e práticas pedagógicas de professoras/es em escolas de Alta Floresta - MT
Este projeto de pesquisa resultou de parceria entre a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e o Instituto Ouro Verde (IOV), no município de Alta Floresta, extremo norte do Estado do Mato Grosso, na região do Arco do Desmatamento, em que foram pesquisadas: uma escola comunitária, situada em área periurbana, que utiliza um mix de abordagens pedagógicas inovadoras e uma escola estadual, localizada em um assentamento rural, que utiliza pedagogia tradicional. O objetivo geral do estudo foi analisar a conexão, a percepção ambiental e as práticas pedagógicas das/os professoras/es, a fim de melhor compreender a diversidade de ações e visões das/os professoras/es a respeito da educação ambiental no contexto rural. Os procedimentos metodológicos basearam-se em abordagem qualitativa, que foram desenvolvidos em etapas na aproximação do contexto de estudo e o trabalho de campo por meio de observação de reuniões, entrevistas semiestruturadas com dez professoras/es e uso do diário de campo. Na etapa de análise e interpretação dos dados, foram utilizados os softwares Iramuteq (para análise de corpus textual) e o Software ATLAS.ti, que subsidiaram a análise de conteúdo categorial temática. No processo de pesquisa todos os procedimentos relativos aos aspectos éticos foram adotados. Com os resultados obtidos foi possível afirmar que as/os professoras/es de ambas as escolas demonstraram interesse e conexão com a natureza, além de significativo sentimento de pertencimento e identidade com o local em que vivem. A escola estadual foi caracterizada como escola rural e a escola comunitária como escola do campo. Identificou-se um olhar sob o campo como ambiente de inúmeras potencialidades. Destacaram-se posturas das/os professoras/es da escola estadual, como questionamento, reflexão, visão holística e preocupação em trabalhar em sala de aula o valor que possuem as pessoas do campo. Foram observadas diferenças nas práticas educativas ambientais, na medida em que a escola comunitária valoriza e viabiliza práticas permanentes que se apoiam na interação com a comunidade, por meio do envolvimento das famílias e, por sua vez, a escola estadual apresentou práticas pontuais em educação ambiental devido à rotatividade do corpo docente, à descontinuidade das práticas e a fragilidade no processo de planejamento, estruturação e comunicação do Projeto Político Pedagógico para o corpo docente. No entanto, há interesse das/os professoras/es da escola estadual por uma abordagem transversal e uma práxis reflexiva e dialógica. Aliando o interesse das/os professoras/es ao desenvolvimento de pesquisas e à presença do Estado e do Município no fomento e manutenção de políticas públicas voltadas à educação no campo e à formação continuada dos profissionais da educação, pode se tornar viável uma articulação que contribua para o desenvolvimento sustentável local e regional.