Título
Sensibilização ambiental por meio de dados da fauna local da Reserva Biológica Serra dos Toledos no bioma Mata Atlântica
Mundialmente, as áreas protegidas são essenciais a fim de manter o equilíbrio da Ecosfera, para garantir a conservação e preservação das espécies nativas, residentes ou migratórias da fauna e flora específica de cada bioma (ICMBio, 2018a). Estas áreas são locais extremamente relevantes, contribuindo para a preservação e manutenção dos ecossistemas ao longo de sua história.Quando se trata de diversidade biológica, o Brasil é um país privilegiado tanto em relação à flora quanto à fauna. É considerado um dos países mais ricos em números de espécies e endemismo no mundo (PARDINI, 2004). Esta diversidade coloca o Brasil na posição de segundo país com maior número de espécies de mamíferos em todo o mundo (ICMBio, 2018a). Dos mamíferos descritos, atualmente cerca de 732 espécies ocorrem em território brasileiro (ICMBio, 2016; ICMBio, 2018a, ICMBio, 2018b; GRAIPEL et al., 2017). Comparando-se, por exemplo, quatro das últimas listas de mamíferos brasileiros publicadas, pode-se notar um avanço no conhecimento sobre a oscilação no número de espécies (ICMBio, 2016, ICMBio, 2018a, ICMBio, 2018b; GRAIPEL et al., 2017).O Bioma Mata Atlântica, local onde se desenvolve este estudo, é um dos ecossistemas mais ricos em diversidade e endemismo de espécies vegetais e animais do mundo, com aproximadamente 321 espécies de mamíferos sendo 89 endêmicas (PAGLIA et al. 2012; SILVA, 2017). Em ecossistemas naturais, a fauna é importante, pois constitui um recurso primário e sua presença na natureza é um índice de integridade e vigor do ambiente natural, que exerce influências benéficas sobre o habitat e bem-estar humano. Entretanto, estes animais são um dos recursos menos compreendidos no Brasil, onde os mesmos se tornaram vítima da ignorância sobre a estrutura e a dinâmica dos ecossistemas, pois não podem sobreviver apenas com pequenos fragmentos, a fauna silvestre possui importância econômica para os ecossistemas que, na maioria das vezes, pode ser maior que os animais domésticos (PARDINI, 2004; NEGRÃO; VALLADARES-PÁDUA, 2006).A Mata Atlântica é um dos biomas que mais tem sofrido com a perda de área e, consequentemente, de habitats, devido à acelerada urbanização associada à infraestrutura de logística com abertura de novas estradas e à ocupação antrópica desordenada, impondo constantes e crescentes ameaças à biodiversidade (NEGRÃO; VALLADARES-PÁDUA, 2006).Segundo Pardini (2004), a fragmentação de habitats é um processo que ocorre quando este é dividido em componentes menores em decorrência do uso da terra pelo homem. Por conseguinte, o homem é o principal modificador ou destruidor destes habitats em consequência de sua expansão social e econômica. O mesmo autor e Borrini et al. (2014) relatam que poucos estudos investigaram o aumento comum da heterogeneidade ambiental devido à fragmentação, pois estas paisagens são sistemas complexos e influenciados por outros fatores, além do tamanho ou grau de isolamento dos remanescentes florestais, como a qualidade da matriz e as mudanças de habitat induzidas pelo efeito de borda.O uso inadequado de recursos naturais criou um abismo entre os termos desenvolvimento e sustentabilidade. Os níveis de devastação de ambientes naturais são alarmantes, a urbanização transformou ambientes naturais em cidades cada vez maiores. Ante esta situação a Educação Ambiental pode se tornar um mecanismo eficaz de gestão para as políticas públicas em relação ao meio ambiente, pois ela se constitui como um processo que auxilia na compreensão crítica do ambiente. Também desenvolve comportamentos que permitem às pessoas assumirem uma posição de interação a respeito das demandas relacionadas com a conservação e a utilização sustentável dos recursos naturais (BORGES; ARANHA; SABINO, 2010). Nessa perspectiva a Educação Ambiental busca despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental, garantindo assim, o acesso à informação em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. A pesquisa através da sensibilização ambiental, com a realização de metodologias alternativas, oferece a grupos provenientes de diversas situações sociais (faixa etária, nível socioeconômico, escolaridade) a oportunidade de entrar em contato com a questão ambiental de forma ativa, participando desde a construção do conhecimento ecológico até a elaboração de opiniões pessoais sobre temas discutidos, os quais apresentam exigências próprias e particularidades. Além de disseminar a transmissão do conhecimento ecológico, atuando na formação de agentes multiplicadores.Assim, está dissertação tem como problema a seguinte questão: os dados sobre a fauna local servem como instrumento de sensibilização ambiental visando que os objetivos de criação da UC sejam atingidos? Como hipótese preliminar tem-se que sim, os dados da fauna local servem como instrumento de sensibilização ambiental e favorecem que os objetivos da UC sejam atingidos. Sendo assim, tem-se como objetivo geral levantar a fauna da Reserva Biológica Municipal Serra dos Toledos (RBST) e verificar se através do uso de dados de fauna referente à RBST é possível sensibilizar quanto à conservação, visando atingir os objetivos de criação da UC. Os objetivos específicos são: a) Levantar in situ dados sobre riqueza, ocorrência, diversidade e uniformidade de mamíferos da região noroeste da RBST; b) Identificar a sensibilização ambiental prévia e posterior da comunidade escolar.Desta forma, este trabalho se justifica pela busca da conservação ambiental e por destacar dimensões "históricas esquecidas", no que se refere ao entendimento da vida e da natureza, revelando as dicotomias da modernidade que separa: atividade econômica e conservação ambiental da totalidade social; sociedade e natureza; mente e corpo; matéria e espírito, razão e emoção. Destacando que o conhecimento de mamíferos silvestres na UC estudada é inédito.Este estudo teve como proposta viabilizar métodos de sensibilização através de dados da fauna localizada na Reserva Biológica Serra dos Toledos no município de Itajubá na região Sul de Minas Gerais, no bioma Mata Atlântica. Também buscou a divulgação destes dados que visam contribuir com a conservação ambiental da Unidade de Conservação (UC) dando maior visibilidade à Reserva Biológica, buscando uma estratégia essencial para o engajamento da sociedade na desafiadora tarefa de conservar as diversidades natural, cultural e histórica deste território.