Título
A experiência estética em áreas verdes urbanas na cidade de Curitiba: potencialidades para a educação ambiental
A presente pesquisa visa analisar a natureza da experiência estética com as áreas verdes no ambiente urbano e o papel da educação ambiental e da escola no favorecimento desse processo. A partir disso, objetivou-se investigar as respostas sensoriais dos estudantes de uma escola pública de ensino básico em Curitiba, quando em contato com as áreas verdes e o potencial pedagógico da experiência estética para a educação ambiental. A experiência estética é aqui entendida como a dimensão sensível, sensorial, afetiva e perceptual da experiência humana, ou seja, as relações com o nosso ser-estar no mundo. Diante do exposto, formulamos a seguinte questão de pesquisa: "que emoções, sensações e afetividades são provocadas nos estudantes ao estarem em contato com e na natureza? O contato dos estudantes com e nas áreas verdes, do entorno escolar e da cidade, contribuem para a formação do sujeito ecológico?". São conceitos norteadores na compreensão de tais relações: a percepção, na perspectiva assumida por Merleau Ponty e o movimento, baseado em Timothy Ingold, autores com uma abordagem fenomenológica que defendem a superação dos dualismos cartesianos e dos referenciais antropocêntricos. A pesquisa foi realizada, durante o ano letivo de 2019, com os estudantes da 1ªsérie do Ensino Médio, do Colégio Estadual Hasdrubal Bellegard, situado na cidade de Curitiba, no bairro Sítio Cercado. O estudo foi desenvolvido como um projeto nas aulas de Geografia e dentre os 33 estudantes que frequentavam regularmente as aulas, 20 aceitaram o convite para participar da pesquisa juntamente com a professora da turma. Na busca por uma coerência entre o referencial teórico adotado e a metodologia a ser aplicada, foram utilizadas as seguintes técnicas de coletas de dados: a observação participante, questionário, walking ethnography (etnografia em movimento). A pesquisa se desenvolveu em três etapas, todas elas associadas à observação participante. Na primeira etapa foi aplicado o questionário, realizada uma aula em sala e a caminhada pelo bairro; na segunda etapa, o walking ethnography no Jardim Botânico de Curitiba; na terceira etapa, a entrevista em movimento com a professora da turma. Os dados coletados são apresentados em ordem cronológica em forma de quadros, imagens e narrativas, seguidos por uma análise interpretativa. Os resultados obtidos a partir do questionário demonstraram como os referencias antropocêntricos e duais estão presentes no imaginário coletivo e perpassam a relação ser humano-natureza. As respostas afetivas presenciadas (vivenciadas) durante as caminhadas propiciaram a compreensão de que esse tipo de experiência possibilita a vivência sensorial com o ambiente e a construção de valores, bem como do sentido de pertencimento. A pesquisa evidencia a necessidade de se considerar os seres não humanos (ou mais que humanos) como sujeitos do processo educativo e ressalta a necessidade de considerar os aspectos sensíveis no processo educacional (aprendizado corporal).