Título

A Educação Ambiental na Amazônia: um estudo da experiência do Grupo Ambiental de Fortalezinha (GAF)

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Adriele de Fatima de Lima Barbosa
Nome do(a) orientador(a)
Sérgio Roberto Moraes Corrêa
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2020
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

Esta dissertação teve como objeto de investigação a experiência de educação ambiental nas ações coletivas do Grupo Ambiental de Fortalezinha (GAF), objetivando identificar e analisar o que a ação coletiva do GAF, na comunidade tradicional (pesqueira) de Fortalezinha, revelou sobre a sua experiência de "educação ambiental" a partir das narrativas da comunidade e de outros agentes institucionais que compunham o GAF. A problemática fomentada orientou-se pela seguinte pergunta: O que a ação coletiva do GAF, na comunidade tradicional (pesqueira) de Fortalezinha tem a revelar sobre a sua experiência de "educação ambiental" a partir das narrativas da comunidade e de outros agentes institucionais que compunham o GAF? Tencionando obter resposta para esse questionamento, algumas questões "Sul" ajudaram a interrogar e a responder à questão central: Qual a origem do GAF e o que levou a sua constituição? Que papel a Comunidade Tradicional Pesqueira de Fortalezinha teve em sua constituição? O que é possível aprender com essa experiência de ação coletiva de educação ambiental oriunda de comunidades tradicionais pesqueiras da Amazônia sob o enfoque das epistemologias do Sul? Quais os avanços e limites dessa ação coletiva do GAF no tocante à sua proposta de "educação ambiental" na comunidade pesqueira de Fortalezinha na perspectiva das epistemologias do Sul? Que desafios é possível identificar para o debate da educação ambiental a partir dessa experiência com essas populações tradicionais da Amazônia? Para responder a estas questões buscou-se: apresentar elementos que caracterizam a origem do GAF e o que levou a sua constituição, bem como o papel que a Comunidade Tradicional Pesqueira de Fortalezinha teve em sua constituição; analisar a concepção de educação ambiental presente nessa experiência do GAF; investigar em que essa experiência de ação coletiva de educação ambiental do GAF contribuiu para essa comunidade; identificar os avanços e limites dessa ação coletiva do GAF no tocante à sua proposta de "educação ambiental" sob a perspectiva das epistemologias do Sul. O percurso metodológico foi caracterizado pela abordagem qualitativa, sob a perspectiva das Epistemologias do Sul. Com a pesquisa de campo, as técnicas utilizadas foram: estudo de caso, observação participante, diários de campo, registros fotográficos e de áudio, coleta de dados por meio de entrevista narrativa. Este estudo teve a participação de oito sujeitos que participaram do GAF, sendo seis pessoas da comunidade, onde três pessoas se identificaram como pescadores e atuantes em outras atividades econômicas, um agente de saúde, um comerciante e um coordenador de um espaço educativo e duas pessoas que atuaram como agentes externos, que não são moradoras da vila, mas possuem casa e empreendimento particular. Para a interpretação dos dados dessa pesquisa, utilizaram-se as categorias de análise em triangulação de dados. Deste modo, identificou-se que o GAF surge, de início, a partir das problemáticas encontradas com a questão do lixo na comunidade, mas a pesquisa revelou outros fatores estruturais e contraditórios que contribuíram na fomentação de múltiplas discussões dentro do grupo e consequentemente em ações que objetivassem no atendimento dessas respectivas necessidades básicas de Fortalezinha. De acordo com as narrativas dos sujeitos externos e moradores que participaram da ação do GAF, a experiência de educação ambiental assentava-se em torno do aspecto econômico, social, político, cultural e ambiental, demarcado em sua temporalidade histórica em avanços, apresentado como um espaço formativo e de circulação de conhecimentos para os integrantes na construção de um olhar mais crítico e sensível para o meio ambiente e também na autonomia, participação social e reivindicação de seus direitos. Os limites da atuação do grupo e consequentemente das ações realizadas, foram pontuadas devido a fatores de ordem estrutural que envolvia, desde o apoio financeiro de outras instituições para a manutenção do grupo e fatores que envolviam relações interpessoais. Em consequência dos dados encontrados com a pesquisa e suas respectivas análises, alguns desafios aparecem para pleitear no debate da educação ambiental na Amazônia, os quais destaco: como as comunidades locais estão se organizando frente às problemáticas ambientais atuais, como as áreas de proteção ambiental vem trabalhando a educação ambiental em seus territórios e por fim reconhecer a cultura local da realidade amazônica como elemento fundamental na discussão da educação ambiental da Amazônia.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
22/08/2022