Título
A Educação Ambiental na Amazônia: um estudo da experiência do Grupo Ambiental de Fortalezinha (GAF)
Esta dissertação teve como objeto de investigação a experiência de educação ambiental nas ações coletivas do Grupo Ambiental de Fortalezinha (GAF), objetivando identificar e analisar o que a ação coletiva do GAF, na comunidade tradicional (pesqueira) de Fortalezinha, revelou sobre a sua experiência de "educação ambiental" a partir das narrativas da comunidade e de outros agentes institucionais que compunham o GAF. A problemática fomentada orientou-se pela seguinte pergunta: O que a ação coletiva do GAF, na comunidade tradicional (pesqueira) de Fortalezinha tem a revelar sobre a sua experiência de "educação ambiental" a partir das narrativas da comunidade e de outros agentes institucionais que compunham o GAF? Tencionando obter resposta para esse questionamento, algumas questões "Sul" ajudaram a interrogar e a responder à questão central: Qual a origem do GAF e o que levou a sua constituição? Que papel a Comunidade Tradicional Pesqueira de Fortalezinha teve em sua constituição? O que é possível aprender com essa experiência de ação coletiva de educação ambiental oriunda de comunidades tradicionais pesqueiras da Amazônia sob o enfoque das epistemologias do Sul? Quais os avanços e limites dessa ação coletiva do GAF no tocante à sua proposta de "educação ambiental" na comunidade pesqueira de Fortalezinha na perspectiva das epistemologias do Sul? Que desafios é possível identificar para o debate da educação ambiental a partir dessa experiência com essas populações tradicionais da Amazônia? Para responder a estas questões buscou-se: apresentar elementos que caracterizam a origem do GAF e o que levou a sua constituição, bem como o papel que a Comunidade Tradicional Pesqueira de Fortalezinha teve em sua constituição; analisar a concepção de educação ambiental presente nessa experiência do GAF; investigar em que essa experiência de ação coletiva de educação ambiental do GAF contribuiu para essa comunidade; identificar os avanços e limites dessa ação coletiva do GAF no tocante à sua proposta de "educação ambiental" sob a perspectiva das epistemologias do Sul. O percurso metodológico foi caracterizado pela abordagem qualitativa, sob a perspectiva das Epistemologias do Sul. Com a pesquisa de campo, as técnicas utilizadas foram: estudo de caso, observação participante, diários de campo, registros fotográficos e de áudio, coleta de dados por meio de entrevista narrativa. Este estudo teve a participação de oito sujeitos que participaram do GAF, sendo seis pessoas da comunidade, onde três pessoas se identificaram como pescadores e atuantes em outras atividades econômicas, um agente de saúde, um comerciante e um coordenador de um espaço educativo e duas pessoas que atuaram como agentes externos, que não são moradoras da vila, mas possuem casa e empreendimento particular. Para a interpretação dos dados dessa pesquisa, utilizaram-se as categorias de análise em triangulação de dados. Deste modo, identificou-se que o GAF surge, de início, a partir das problemáticas encontradas com a questão do lixo na comunidade, mas a pesquisa revelou outros fatores estruturais e contraditórios que contribuíram na fomentação de múltiplas discussões dentro do grupo e consequentemente em ações que objetivassem no atendimento dessas respectivas necessidades básicas de Fortalezinha. De acordo com as narrativas dos sujeitos externos e moradores que participaram da ação do GAF, a experiência de educação ambiental assentava-se em torno do aspecto econômico, social, político, cultural e ambiental, demarcado em sua temporalidade histórica em avanços, apresentado como um espaço formativo e de circulação de conhecimentos para os integrantes na construção de um olhar mais crítico e sensível para o meio ambiente e também na autonomia, participação social e reivindicação de seus direitos. Os limites da atuação do grupo e consequentemente das ações realizadas, foram pontuadas devido a fatores de ordem estrutural que envolvia, desde o apoio financeiro de outras instituições para a manutenção do grupo e fatores que envolviam relações interpessoais. Em consequência dos dados encontrados com a pesquisa e suas respectivas análises, alguns desafios aparecem para pleitear no debate da educação ambiental na Amazônia, os quais destaco: como as comunidades locais estão se organizando frente às problemáticas ambientais atuais, como as áreas de proteção ambiental vem trabalhando a educação ambiental em seus territórios e por fim reconhecer a cultura local da realidade amazônica como elemento fundamental na discussão da educação ambiental da Amazônia.