Título
O tecido climático na migração de mulheres do Haiti: o velado e o vazado
Minha pesquisa mirou na interpretação de um enorme tecido do clima, que revela as tramas humanas que provocaram e ainda provocam os desastres e as migrações, na tecitura dos labirintos das migrantes haitianas em Cuiabá-MT. Assim, meus objetivos foram de buscar compreender de que maneira a crise climática é concebida pelas migrantes; como esta crise se entrelaça com a dimensão cultural, econômica e, mais persistentemente, com as relações de gênero. No horizonte da arte têxtil, desejo ainda contribuir com a construção de políticas públicas migratórias que considerem a educação como essência ao bem-estar da população migrante. Para isso, a Educação Ambiental que promova a inclusão imprescindível das mulheres e crianças pode contribuir para a promoção dos Direitos Humanos e da Terra. Parti da hipótese que elas são migrantes climáticas e na tecitura da interpretação dos resultados apresento alguns elementos neste sentido. Na pesquisa, além de algumas considerações femininas, busquei também compreender se elas conhecem os efeitos decorrentes daquele terremoto ocorrido no seu país, que potencializou a aridez econômica, social, ambiental e cultural, e busco relacioná-los com os fluxos migratórios. Princípios (valores), reflexão (conceitos) e ação (metodologia) se unem na travessia investigativa por intermédio da Fenomenologia, aqui em especial à Cartografia do Imaginário. Assim, bordadas conjuntamente numa meada colorida entre o axioma, episteme e práxis, o elemento terra foi a metáfora para interpretar a crise climática, seus desastres, as histórias do Haiti e o fluxo migratório das mulheres ao Brasil - que hoje enfrenta também uma crise política de perdas em todos os sentidos. Há algo velado nas suas narrativas sobre os motivos da migração, que se traduz uniformemente com a mesma resposta, que nos ajudou a compreender sua vinda para o Brasil; e apontamos também as vulnerabilidades a que estão expostas. De início, as respostas pareciam uma cortina que esconde o interior, mas que de tempos em tempos é exposta por alguma brisa ou ventania. Embora o sentimento de gratidão esteja presente na acolhida à nova morada, explicita-se também uma querença de retornar ao Haiti - não ao mesmo país, mas com esperanças de que podem construir uma nova Nação. Existem também os desejos de construir a nova morada com outros bordados e cores que estão a favor da vida, da democracia e da felicidade. Compreendi que na tecitura da política de migração, as mulheres devem ser ouvidas de maneira categórica e que os processos educativos devem incluir a pauta climática como condição essencial para a Justiça Climática.