Título
Pedagogia(s) da economia solidária: um olhar para os empreendimentos econômicos solidários da região metropolitana de São Paulo
A economia solidária, objeto de estudo desse trabalho, é produto das transformações no mundo do trabalho nos países de capitalismo periférico e dependente, tornandose uma alternativa coletiva para a geração de renda, além de forma organizativa ímpar na luta por trabalho e outros direitos sociais. Tendo como premissa teórica que grupos organizados apontam para uma práxis pedagógica, a presente pesquisa teve o objetivo de conhecer as práticas nas organizações que compõem a economia solidária no Brasil, explicitando suas trajetórias e perspectivas educativas no processo de trabalho associado. Especificamente, este estudo pretendeu identificar concepções pedagógicas que emergem do cotidiano prático dos empreendimentos econômicos solidários localizados na Região Metropolitana de São Paulo - território com altas taxa de crescimento populacional, baixo desenvolvimento socioeconômico e elevado incremento do contingente de trabalhadores ocupando postos de trabalho informal. Por meio de entrevista não estruturada, participaram da pesquisa lideranças de cinco empreendimentos econômicos solidários, sendo eles: Cooperativa de Trabalho, Assessoria Técnica, Extensão Rural e Meio Ambiente; Microempresa Solidária de Artesanato de Acessórios Femininos e Brinquedos Artesanais; Cooperativa de Alimentação; Grupo Informal de Educação Ambiental e Produção de Alimentos Orgânicos/agroecológicos; Cooperativa de Prestadores de Serviços de Educação Ambiental, Coleta e Reciclagem de Óleos. Do ponto de vista teórico, partimos do conjunto de produções no campo da educação que identificaram as Pedagogias emergentes das práticas sociais educativas. A análise possibilitou concluir que, na materialidade histórica na qual a economia solidária se desenvolve, diferentes Pedagogias organizam dialeticamente a prática cotidiana nos distintos momentos educativos (político-organizativo, formais ou não formais) vivenciados pelos empreendimentos. Identificamos a presença de uma Pedagogia Hegemônica, cujas evidências apontaram para a normatização dos processos produtivos a partir de concepções de eficiência e eficácia, do aprender a aprender, a formação para o empreendedorismo, a educação ambiental conservadora e que, portanto, indicam práticas educativas que se distanciam da perspectiva de crítica e de superação da lógica neoliberal da sociedade capitalista. As práticas autogestionárias, de comércio justo, de decisão coletiva do destino da empresa solidária e todos os momentos de formação sociopolítica e movimentação ativa/reivindicatória são destaques do afloramento de uma Pedagogia Crítica, a qual abrange a perspectiva da Pedagogia da Autogestão, Popular, Comunitária, da Práxis e dos Movimentos Sociais. Concluise também que, predominantemente, os trabalhadores atuantes na economia solidária buscam um modelo socioeconômico diferente do atual e consideram a organização coletiva do trabalho a melhor forma de assumirem o controle coletivo da produção de suas vidas.