Título
Os rios da fronteira noroeste do Rio Grande do Sul: conflitos e discursos como contribuição à educação ambiental
Esta dissertação apresenta uma pesquisa desenvolvida na linha de pesquisa de fundamentos da Educação Ambiental, partindo do pressuposto de que esta deve ser pensada a partir dos grupos que sofrem injustiça ambiental, ou seja, uma Educação Ambiental para Justiça Ambiental. Para tanto, é considerado que vigora em nossa sociedade a imposição da ideologia neoliberal, que, para além do acirramento das desigualdades e injustiças, baseia-se na construção de sujeitos orientados a esta lógica (competitiva, meritocrática, desumana). Em contrapartida, é utilizado, como oposição a essa ideologia, o pensamento socialista-libertário, que pressupõem relações de solidariedade, apoio mútuo e autogestão. O objetivo da pesquisa é evidenciar, nos discursos de grupos demandantes em conflitos socioambientais, a construção de relações que antagonizam com a lógica neoliberal e afirmam os ideais libertários, pois, como hipótese, afirmo que, na luta contra as injustiças socioambientais, em situações de conflito, os grupos constroem entre os sujeitos relações necessárias não só à luta, mas também a um outro mundo possível, justo e igualitário. Para proceder à pesquisa, foi inicialmente realizado o mapeamento dos conflitos socioambientais e problemas ambientais da Região da Fronteira Noroeste do Rio Grande do Sul, visando um entendimento do contexto regional e identificação dos grupos, através do Jornal Noroeste, nos anos de 2014 a 2017. Os grupos identificados foram os atingidos por enchentes urbanas dos Rios Pessegueiro e Pessegueirinho, na cidade de Santa Rosa/RS, e o movimento de luta contra a instalação do complexo de Barragens Garabi/Panambi, no Rio Uruguai. Posteriormente, foi realizada a análise do discurso dos grupos identificados. Como resultado, evidencia-se que estão presentes, nos processos de mobilização e nas vivências destes grupos, a aprendizagem de outras formas de relação, baseadas na(nas) utopia(s) destes, constituindo sujeitos capazes de construir outras relações, necessárias à transformação da sociedade e à superação da crise socioambiental. Por fim, argumenta-se que o resgate das utopias, enquanto fundamental à construção de uma sociedade mais justa (social e ambientalmente), deve ser incorporada como fundamento à Educação Ambiental.