Título
Potencialidades e desafios pedagógicos dos conflitos ambientais: tecendo relações entre educação ambiental crítica e ecologia política
Considerando os desafios no campo da Educação Ambiental (EA) vista enquanto uma proposição educativa que busca requalificar as relações sociedade-natureza, buscamos refletir sobre esta prática educativa considerando o contexto dos conflitos ambientais no território Abya Yala (América Latina). Partimos do entendimento que os conflitos são inerentes ao contexto social e que só ganham espaço na arena pública nas sociedades democráticas. Além disso, compreendemos que o conflito ambiental expressa uma disputa que está além das diferentes formas de uso dos bens naturais, pois o que está em questão, é o direito de os sujeitos realizarem seu papel como criadores do mundo e de si mesmos. Neste caminho, pensamos o conflito em termos pedagógicos e o sentido pedagógico do conflito, apreendendo um olhar crítico deste fenômeno social para avaliar de maneira mais cuidadosa suas possibilidades e desafios em termos educativos. Partimos da hipótese que os conflitos ambientais têm o potencial de revelar práticas pedagógicas presentes neste fenômeno social, admitindo que estas práticas se constituem em permanente disputa, sendo a partir de seus processos emancipatórios ou de dominação, no qual consideramos a existência da Necropedagogia. Portanto, inspirados nas reflexões sobre o conflito ambiental enquanto categoria conceitual estratégica para refletir sobre as relações sociais, as contradições em estado prático e as alternativas de outras formas de sociabilidade, a partir da tradição crítica da EA, o léxico teórico do campo da Ecologia Política e os debates decoloniais, propomos um olhar mais complexo sobre os conflitos ambientais. Concluímos que esta aproximação teórica é de extrema riqueza para o campo da EA, não apenas por incorporar outros aportes teóricos para pensar a questão ambiental sob a lente da educação, mas sobretudo, para refletir sobre a expropriação do capital a partir da nossa realidade e contribuir com as lutas emancipatórias. Em termos metodológicos, a partir da realização de entrevistas semiestruturadas, buscamos compreender a percepção de pesquisadores com envolvimento destacado no campo da Ecologia Política acerca do tema em questão. Concluímos que os conflitos revelam disputas sobre a possibilidade de viver e ser no mundo, o que impõe ao campo da EA a necessidade de refletir sobre esta questão a partir da dimensão ontológica. Além disso, concluímos a necessidade de considerar o termo "potencialidade pedagógica" no seu sentido rígido, algo que está "em potência" e justamente aqui, nesta relação, reside o papel da EA; para que estas potências existentes nos conflitos ambientais possam contribuir com as práticas educativas ambientais e com o contexto das lutas emancipatórias no território Abya Yala.