Título
Educação ambiental para o consumo sustentável: uso da pegada ecológica como recurso didático
Qualquer padrão de consumo praticado pela sociedade tem um custo ambiental associado, pois, custa à natureza o sacrifício de áreas de terra bem como volumes de água. O modelo de consumo adotado pela sociedade contemporânea concorre para a super-demanda pelos recursos naturais, o que pressiona a capacidade regenerativa dos ecossistemas. Paralelo a isso, os processos industriais, o uso excessivo de combustíveis fósseis, a super-produção de resíduos sólidos desencadeiam uma série de impactos para o meio ambiente, onde além da contaminação de solos e massas líquidas, destaca-se o agravamento do efeito estufa. Para reverter-se o cenário, iniciativas educacionais que promovam a reflexão sobre hábitos de consumo e seus impactos para o meio ambiente, tem contribuído na conscietização da sociedade. Nesse processo, destaca-se a Pegada Ecológica (PE) no dimensionamento e do peso ambiental embutido nas diferentes formas de consumo. A PE é uma ferramenta que expressa a demanda ambiental associada ao consumo, ou seja, mede a quantidade de terra e água necessárias para suportar estilo de vida de um indivíduo e/ou população no geral, considerando todos os processos produtivos, absorção de resíduos e a tecnologia envolvida. Portanto, a PE é um indicador bastante útil para a gestão das demandas humanas sobre o meio ambiente, pois ela permite avaliar a (in)sustentabilidade das práticas de apropriação de recursos naturais. Por via disso, trazer à discussão a PE dos produtos e serviços que suportam os diferentes estilos de vida, constitui uma oportunidade para a sociedade refletir sobre as próprias demandas, o que é fundamental para o desenvolvimento do senso crítico, que por sua vez, constitui num exercício de cidadania ambiental. A particularidade mais interessante da PE, é a sua capacidade de dimensionar os processos da biocapacidade, o que permite identificar os principais desafios a serem enfrentados para evitar o "colapso" dos ecossistemas. Neste contexto, PE afigura-se como um recurso didático bastante valioso para a Educação Ambiental (EA), posto que além de linguagem acessível, pode ser aplicado na gestão de demandas individuais, empresariais, estatais rumo à sustentabilidade. Adicionalmente, é uma metodologia de fácil interpretação, com a particularidade de ser acessível para qualquer público, posto que descreve questões complexas utilizando conceitos de domínio comum. Foi nessa premissa que o presente trabalho buscou junto dos estudantes da UFU, desenvolver um projeto de educação ambiental utilizando-se a PE para refletir sobre as próprias demandas, como forma de induzir para uma maior preocupação ambiental em seus estilos de vida. Na sequência, observou-se que os estudantes têm certo domínio sobre questões ambientais voltadas ao consumo sustentável, no entanto este conhecimento ainda não é manifesto nas práticas cotidianas, pelo que além da teorização das questões ambientais, urge a necessidade de se articular a teoria com a pártica, principalmente a partir de ações voltadas às próprias demandas do cotidiano dos estudantes.