Título
A geografia escolar: referencial para interpretação do vivido?
Este trabalho teve como objetivo obter indicativos acerca das práticas de ensino do professor de Geografia que permeiam experiências vividas no cotidiano dos alunos, no tratamento das questões socioambientais. O interesse pela investigação se deu a partir da experiência profissional, desta pesquisadora, em uma Unidade de Conservação (UC) - Parque Estadual do Biribiri (PEBI), localizado no município de Diamantina, na qual, tinha a função de desenvolver atividades de Educação Ambiental nas escolas localizadas no entorno desta UC. Contudo, durante sua experiência, a pesquisadora percebeu que o professor em especial de Geografia, via de regra, no quando da abordagem do conteúdo da disciplina, apresentava um distanciamento em tratar a escala local na abordagem dos conceitos geográficos, os quais eram trabalhados, na maioria das vezes, na escala global. Levando em consideração que abordagens do ensino em Geografia no âmbito escolar, assentadas nos debates acadêmicos e em políticas educacionais elaboradas ao longo das últimas duas décadas, têm afirmado a necessária adesão a práticas pedagógicas que permitam aos alunos a interpretação da espacialidade dos mais diversos fenômenos. E que para isso, considera-se necessário que o professor de Geografia exerça uma prática docente que ultrapasse o modelo pedagógico transmissivo, para o de mediador e gerador de reflexões que beneficiem aos alunos a apreensão de questões referentes ao seu contexto vivenciado. Assumiu-se fundamental investigar como os professores de Geografia se apropriam (ou não) do referencial escalar do local em suas ações educativas. Apoiado nessas ideias buscou-se, através do perene diálogo com a literatura especializada, do desenvolvimento da observação direta da prática pedagógica e da realização de entrevista, inferir dados referentes ao discurso da professora, sujeito da pesquisa, com a finalidade emergir se o os processos interativos decorrentes em sala de aula permitiram aproximar os conteúdos e teorias da Geografia ao cotidiano dos alunos. Além disso, a investigação documental (livro didático e plano de ensino) permitiu identificar se suas metodologias de ensino, estabeleciam relações com a abordagem do contexto vivido/local dos alunos. Os dados revelaram que, embora a professora, sujeito da pesquisa, tenha utilizado referenciais do vivido, muitas vezes os discursos e métodos utilizados em aula não trataram as temáticas socioambientais de forma abrangente, os processos e conceitos deslocaram no sentido de restringir-se em atividades pontuais, fragmentadas e desconectadas da realidade, mitigando possibilidades de interações e relações entre o conteúdo e o espaço de vivência pelos alunos.