Título

Naturalismo Poético-Pampeano: Uma Potência Musical do Pensar

Programa Pós-graduação
Educação Ambiental
Nome do(a) autor(a)
Virgínia Tavares Vieira
Nome do(a) orientador(a)
Paula Correa Henning
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2017
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

O presente trabalho trata-se de uma Tese de doutorado, realizada no Programa de Pós- Graduação em Educação Ambiental, na Universidade Federal do Rio Grande - FURG. O problema de pesquisa buscou investigar que relações gaúcho/natureza se produzem na música pampeana do Rio Grande Sul, da década de 1970 do século passado até a contemporaneidade. Para responder a esta investigação, analisamos músicas de diferentes compositores que vêm, ao longo desses anos, constituindo um modo de olhar e se relacionar com a paisagem natural e cultural pampeana. Como caminho metodológico, utilizamos de algumas ferramentas da Análise do Discurso, a partir de Michel Foucault. Assim, defendemos a Tese da fabricação discursiva de um tipo particular de naturalismo - O Naturalismo poético-pampeano na música pampeana. Tal formação discursiva está sustentada por dois enunciados, são eles: Beleza Natural e Cultura Gaúcha e O Frio do Pampa. O primeiro foi constituído ante uma recorrência de enunciações que enaltecem os elementos naturais de forma bela e romântica (tal qual a corrente naturalista no campo da EA), sublimando o sujeito gaúcho como um elemento que se imiscui na composição da paisagem sulina. Aqui, é possível perceber por que se trata de um tipo particular de naturalismo. Se tal corrente separa o homem da paisagem natural e, ainda, faz-se toda uma problematização da necessidade de articulação entre homem e natureza, no Naturalismo poético-pampeano do final do século XX e início do século XXI, gaúcho e elementos naturais vão constituindo a própria natureza. O segundo enunciado vemos constituir-se uma paisagem fria e invernal nos campos do sul. Em uma música intimista carregada de lirismo, fomos provocadas a pensar e sentir uma poetização do frio por excelência na fabricação do cenário sulino. O material analisado nesse enunciado nos expõe uma recorrência de enunciações que anunciam o frio do pampa e os invernos gelados como uma das formas de ler essa paisagem natural. Ao fabricar esse cenário invernal, vimos expressar-se um tipo particular de gaúcho na composição dessa paisagem fria. O frio (nas músicas pampeanas) irrompe como um elemento natural e cultural, dando rosto a esse sujeito que estabelece uma relação peculiar com o frio. Compreendemos que o frio do pampa aparece em um emaranhado de elementos naturais e culturais na constituição de um sujeito específico dos pampas, o que nos dá subsídios para apreendermos que se trata de um tipo particular de naturalismo. Há uma articulação e pertencimento entre os elementos naturais e a cultura nos modos de desenhar e cantar a paisagem natural do sul do Brasil, a natureza! A intenção da pesquisa é de provocar o pensamento em relação à potência do presente estudo na produção de sentidos e significados no tempo em que vivemos, além de problematizarmos a relevância da articulação da filosofia como um modo de vida numa relação intrínseca com a música e na produção de experiências do pensamento. Dito isso, compreendemos que a música pode ser capaz, em alguma medida, de produzir esses espaços e tempos de experiências do pensamento e potencializar a vida.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
31/05/2021