Título
Governança e educação das águas no Vale do Rio dos Sinos
Esta tese insere-se no âmbito dos estudos que permeiam o binômio ambiente e desenvolvimento social, com foco na interdependência entre educação e governança ambiental. Parte-se de uma discussão ampliada dos mecanismos nos quais a governança das águas opera/enfrenta o engendramento de quadros de sustentação de processos culturalmente instituídos. Diante deste quadro ou ante os quais a educação é convocada a desempenhar um papel conformador da suficiência dos sujeitos, com relação a um conjunto de capacidades para o exercício da representatividade política e social no âmbito do seu território hídrico. O estudo propõe caracterizar a construção de conhecimento, ao longo da trajetória de atores sociais e o seu envolvimento na definição progressiva de políticas dos recursos hídricos na região da bacia hidrográfica do Rio dos Sinos, à luz da perspectiva construcionista em diálogo com o realismo local, reforçando em linhas gerais a tese de que a avaliação (e aprendizagem) da forma como o conhecimento ambiental, os riscos e os problemas são socialmente formulados compõe a cultura política instaurada na região, passíveis portanto, de reformulação no processo de disputas políticas por sua institucionalização. Para isso investigou-se a trajetória de práticas, protagonistas e projetos no âmbito da ecologia, percorrendo desde os primórdios ao momento em que se engendra a formulação de propostas de educação ambiental, como dos arranjos e mecanismos deliberativos instituídos na região. A análise dos dados orientou-se pela dimensão retórica, acompanhando o conjunto de dados oriundos da pesquisa documental e/ou desencadeados pelas lembranças episódicas do conjunto de entrevistados. Entre as conclusões alcançadas, a pesquisa permite mostrar que a instalação de territórios corporativos se encontra na base e emergência das lutas por democracia social desde os pioneiros e sua tarefa tem se constituído na formação e/ou desinstalação de um ethos coletivo e de uma intuição de que o campo da política ambiental faz/ou não sentido. Ainda, aponta que a trajetória de conformações da governança e da educação das águas no Vale do Rio dos Sinos transcorreu em sucessivos e alternados movimentos de apresentação dos problemas-exigência, apresentação da reivindicação, potencialidade de legitimação/institucionalização, nem sempre completados. Neste sentido a contribuição da sociologia ambiental para uma proposta de "educação das águas" refere à construção de instrumentos capazes de promover a explicitação de (várias)urgências como tarefa do conhecimento ambiental, para a qual concorrem tanto as referências dos teóricos realistas, quando dos construtivistas, com destaque aos defensores do desenvolvimento de capacidades afetas ao exercício da cidadania política e cultural.