Título
Educação ambiental e transformação de espaços urbanos: novas formas de habitar, múltiplas formas de aprender
Em todo o mundo, atualmente, há mais gente vivendo nas cidades do que no campo. A acelerada urbanização associada aos impactos socioambientais do modo de produção capitalista se apresenta como um dos principais problemas da modernidade. Entretanto, podemos ressaltar neste cenário desestabilizante iniciativas voltadas à conciliação entre ambiente urbano e natureza e a articulação entre pessoas na busca de cidades melhores para viver e conviver. Discutir a crise ambiental atual exige que se leve em consideração ações articuladas nas esferas da política, da economia, da produção de conhecimento e da educação, buscando a vinculação entre a real natureza das questões ambientais, as práticas humanas e os processos educativos. A educação ambiental crítica pode figurar como possível tradutora da linguagem dos coletivos que trazem práticas alternativas para a edificação de uma sociedade urbana menos predatória. O enfoque desta investigação refere-se à dimensão educativa das práticas sociais de intervenção pública, reconhecidamente guiadas por outra práxis ambiental. Essa práxis se revela no fazer cotidiano de todos aqueles que se inserem como promotores deste novo habitar em realidades de espaços comunitários que se propõem a novas formas de trabalhar no e com o espaço urbano. A inquietação que motivou esta pesquisa é: seriam essas práticas de transformação de espaços urbanos uma educação ambiental acontecendo na prática? E como essas pessoas educam-se com os outros deste grupo e a si mesmas nesta prática? Diante desta interrogação, pretendeu-se compreender esse processo educador ambiental de transformação-ressignificação- reocupação dos espaços, a partir de um recorte contextual nas hortas urbanas comunitárias que se espalham e promovem a ambientalização da metrópole de São Paulo/SP. Correspondente ao nosso horizonte teórico-metodológico, para esta pesquisa qualitativa, tomamos a postura de observação participante e nos inserimos como partícipes no contexto a ser investigado. Tal ponto de partida e de chegada nos permitiu uma melhor compreensão dos fenômenos que envolvem a atuação dos humanos entre si e dos humanos no/para/com o ambiente. Concluímos que este estudo focalizado nas experiências de transformação de espaços urbanos, com recorte para o contexto de algumas iniciativas em agricultura urbana comunitária da cidade de São Paulo/SP, vem corroborar a prerrogativa de que aprendemos em todos os lugares e pode enriquecer o campo da pesquisa em educação ambiental não escolar, que envolve esforços de não apenas olhar para as relações institucionais e políticas do educar-se, mas também qualificar sua prática a partir do espaço em que ela se produz. Aqui evidenciada pelos processos educativos nas práticas sociais de transformação de espaços públicos nas cidades.