Título

O diálogo em processos de educação ambiental: análise das relações existentes entre uma ONG e pescadores artesanais marítimos do litoral paulista

Programa Pós-graduação
Ciência Ambiental
Nome do(a) autor(a)
Rafael de Araújo Arosa Monteiro
Nome do(a) orientador(a)
Marcos Sorrentino
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2018
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

Esta pesquisa buscou contribuir para o aprofundamento da compreensão do diálogo em processos de educação ambiental (EA) e da formulação de indicadores que permitam averiguar a dialogicidade no fazer das/dos educadoras(es) ambientais, uma vez que se constitui enquanto um princípio-base a ser adotado em processos educadores que sejam de fato transformadores da realidade. Para isso, buscou-se analisar como se deu o processo educador desenvolvido por uma organização não governamental com pescadores artesanais marítimos do litoral paulista, respondendo a seguinte pergunta de pesquisa: As atividades de EA e de pesquisa desenvolvidas por uma ONG com pescadores artesanais marítimos do litoral paulista contribuíram para fomentar o diálogo entre a ONG e os pescadores em busca de uma transição para a pesca responsável e da melhoria das condições existenciais dos pescadores? Os dados foram coletados por meio da análise de documentos e de entrevistas semi-estruturadas, sendo analisados a partir de uma síntese das ideias de Martin Buber, David Bohm, William Isaacs e Paulo Freire sobre o diálogo, composta por um conjunto de perguntas-indicadoras divididas em três categorias: aspectos externos, aspectos internos e ação dialógica. Os resultados encontrados demonstram a incipiência do diálogo na relação entre os atores. Os aspectos externos dialógicos se limitaram à frequência semanal das conversas e a algumas formas de disposição dos participantes em determinados encontros. Os aspectos internos revelaram o estabelecimento de dois tipos de relação: uma antidialógica e outra que chamei de dialógica incipiente por apresentar alguns indícios de emergência do diálogo, não sendo, no entanto, fortes o suficiente para caracterizar a existência de um campo conversacional dialógico. Em relação à ação dialógica foi possível verificar o início de um processo de acordo com os princípios dos círculos de cultura. No entanto, a falta de priorização da continuidade de tal processo nos permite afirmar que não houve uma ação dialógica de acordo com os indicadores elaborados, caracterizando-se, assim, enquanto uma emergência dialógica suprimida. Além disso, quanto às estratégias pedagógicas adotadas nos diferentes encontros de EA é possível afirmar que aquela utilizada nos diagnósticos participativos foi a única que potencializou a emergência do diálogo. Por fim, vale destacar as potencialidades dialógicas encontradas nos dois atores da pesquisa. Alguns pescadores apresentaram uma forte postura de abertura ao Outro, inclusive se permitindo enfrentar e superar medos adquiridos em outras relações, realizando, assim, a suspensão de tais pressupostos. A ONG, por sua vez, apresentou importantes atitudes estimuladoras do diálogo, como a escuta genuína, o respeito, a não utilização de linguajar acadêmico e a não imposição de ideias. Todas essas potencialidades devem ser estimuladas juntamente com a criação de novas, de forma a permitir o avanço na existência dialógica e a efetividade da transição para um novo modelo de pesca e de sociedade.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
31/05/2021