Título

Latas d'água nas cabeças: percepções sobre a água na comunidade quilombola de Mata Cavalo

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Priscilla Mona de Amorim
Nome do(a) orientador(a)
Regina Aparecida da Silva
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2017
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Essa pesquisa teve como área de estudos a comunidade quilombola de Mata Cavalo, localizada no município de Nossa Senhora do Livramento, Mato Grosso. Esta comunidade convive historicamente com diversas lutas, dentre elas, a busca pelo título definitivo de posse da terra e o acesso à água. Tivemos o objetivo de compreender a percepção que a comunidade escolar de Mata Cavalo tem sobre a natureza, principalmente a água, assim como os fatores que eles atribuem à falta de água, como também, às dificuldades e aos conflitos existentes em relação a este bem natural. Nossa pesquisa foi realizada na comunidade escolar da Escola Estadual Tereza Conceição Arruda. Nosso aporte metodológico foi a Cartografia do Imaginário (elaborada por Michèle Sato) que nos proporcionou muitas formas de interpretar, valorizando todos os passos dados no caminho, compreendendo que o caminhar é tão importante quanto onde se quer chegar. Realizamos trabalhos de campo com entrevistas semiestruturadas e oficinas de mapeamento participativo. Historicamente, o acesso a água é uma das maiores dificuldades enfrentadas no quilombo, os entrevistados percebem a água como algo essencial à vida e apontam que as ações humanas têm afetado na qualidade e disponibilidade deste bem natural. As temáticas água e educação ambiental são trabalhadas pontualmente na escola da comunidade, fato que pouco contribui com a formação crítica necessária aos quilombolas que poderiam ter a escola como um dos espaços para compreender os problemas socioambientais vivenciados cotidianamente. A solução apontada unanimemente pelos quilombolas para a falta de água é a construção de poços artesianos em seus quintais, que se justifica pela urgência em ter acesso à água e ao acesso limitado aos córregos. A maioria dos poços está localizada nas propriedades dos fazendeiros, em áreas ainda não regularizadas e indenizadas. Por se tratar de algo essencial à vida, é necessário que a educação ambiental enfatize este problema enfrentado pelos quilombolas, pois isso os fragiliza e, juntamente com o descaso do poder público, os tornam ainda mais vulneráveis ao racismo e as injustiças ambientais.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Data de Classificação:
31/05/2021