Título

Os sentidos da crítica na educação ambiental crítica

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Priscila Amaro Lopes
Nome do(a) orientador(a)
Carlos Frederico Bernardo Loureiro
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2019
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A presente dissertação apresenta os resultados de pesquisa sobre os sentidos da crítica presente na vertente crítica do campo da educação ambiental (EA), de modo a compreender o que a define, quais são as diferentes perspectivas teórico-políticas presentes e como elas se relacionam com as diferentes epistemologias no campo da educação e das ciências humanas. A metodologia consistiu em um levantamento inicial dos trabalhos que continham a palavra "crítica" ou "crítico" no título, resumo ou palavras-chave, nas nove edições do EPEA (Encontro de Pesquisa em Educação Ambiental), a sistematização dos autores e obras mais utilizados como base teórico-metodológica por esses trabalhos, entrevista semi-estruturada com esses autores, e análise dos trabalhos selecionados no recorte da pesquisa, se atendo a um GDP do IX EPEA, de 2017, através da análise de conteúdo. Os resultados demonstraram que os trabalhos alinhados à EA Crítica aumentaram ao longo dos últimos anos, representando de 35 a 45% do total dos trabalhos apresentados nos EPEAs a partir da 5a edição, em 2009. Foram destacados como autores mais citados nos trabalhos a partir desse ano: Carlos Frederico Loureiro, Paulo Freire, Mauro Guimarães, Isabel Carvalho, Philippe Layrargues e Marília Tozoni-Reis. As obras principais correspondem, no geral, às produções dos autores mais citados. Em relação ao que define a EA Crítica, os trabalhos e depoimentos analisados indicam que sua crítica se direciona a algum aspecto da sociedade atual em relação à questão ambiental e, por conta dessa insatisfação, almeja a transformação dessa realidade não desejada, considerando suas múltiplas dimensões - aspectos políticos, sociais, econômicos, naturais, éticos. Dentro dessa larga definição existem várias críticas diferentes, de ordem mais ética, à racionalidade atual, à cultura exigida pelo modo de produção capitalista (sociedade do consumo), ao próprio modo de produção atual, entendendo que não é possível alterar o quadro existente sem modificar as condições materiais de suas relações sociais. Foi observado que, em geral, nos trabalhos analisados, não há clareza em relação ao que se critica, faltando ainda maior detalhamento da causa e dos sujeitos responsáveis pelos problemas e conflitos vivenciados, assim como o horizonte a ser alcançado pela transformação desejada, muitas vezes sendo apenas o "espelho" do que é criticado na realidade atual. É consenso que aeducação ambiental não pode ser vista e analisada separada das disputas e pluralidades existentes no campo da educação e das ciências e humanas, no geral, e que a EA Crítica tem tradicionalmente uma base marxista, porém alguns dos autores entrevistados consideram que há a necessidade de outras epistemologias. É reconhecido que, por mais que o diálogo seja possível em alguns pontos, há disputa pelo pensamento e prática hegemônica na EA, que independe do julgamento moral das intenções de cada pesquisador ou educador. Sendo o processo educativo um instigar à reflexão para um agir rumo à transformação, cabe perguntar: refletir pra agir, mas agir em que? Com que finalidade? Pra chegar onde? É nessa disputa que se encontra o esforço dos pesquisadores, educadores e ambientalistas, onde a EA, e em especial, a vertente crítica, está inserida.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
31/05/2021