Título
As instituições de ensino superior e a educação ambiental: ambientalização curricular em licenciaturas da área de ciências da natureza
Atualmente, reconhece-se a existência de componentes teóricos e legais fixam a Educação Ambiental (EA) em todas as esferas do ensino visando superar a visão instrumental e pragmática rumo a uma prática crítica, cultural e epistemologicamente implicada. Essas iniciativas são recentes e se contrapõem a pouca inserção da Educação Ambiental no ensino e ao pouco conhecimento do que se faz no ensino quando o assunto é a EA. Nesta tese, pretende-se discutir o segundo ponto, na tentativa de refletir acerca da inserção e do entendimento sobre EA no ensino superior e na formação docente, tomando como referência dados de duas instituições públicas do Estado de São Paulo. São objetivos desta proposta: Analisar documentos de diferentes cursos da área de licenciatura em ciências da natureza em duas universidades presentes no Estado de São Paulo com intuito de identificar como e onde a educação ambiental se insere nas licenciaturas investigadas; entender (e com isso divulgar) e problematizar as concepções e estratégias de diferentes instituições de ensino superior (IES) para se trabalhar a EA; apresentar a percepção d@s coordenador@s, estudantes e docentes acerca do papel da Educação Ambiental nos cursos de licenciaturas; e discutir a potencialidade dos cursos de formação docente, tendo como referência os pressupostos da ambientalização curricular. Para isso, analisou-se ementas e projetos pedagógicos, bem como entrevistas semiestruturadas junto a coordenador@s de cursos de licenciatura, professor@s que lecionam disciplinas em EA e alun@s de cada instituto pesquisado. Os dados foram sistematizados a partir da abordagem qualitativa com olhar para a análise de conteúdo, com um aprofundamento na tese de Bardin - inferências, unidades de registro e contexto. A partir da análise, foi possível observar: (1) a existência de vertentes relativas à inserção das proposições oficiais no material analisado: a) uma primeira que entende essas proposições como uma incumbência legal da qual as licenciaturas devem solucionar para o instituto/faculdade, b) a segunda caracteriza a EA como um apêndice da estratégia formativa da própria licenciatura, c) uma terceira que concebe a EA parte estruturante do currículo, ainda que em diferentes escalas dentro das licenciaturas analisadas; (2) a inclusão da EA nas unidades investigadas ocorrem variavelmente através do ensino, da pesquisa e extensão. Do ponto de vista do ensino, a estratégia hegemônica foi adoção da temática na forma de disciplinas obrigatórias, optativas e livres, já a extensão apresentou-se como principal estratégia à pesquisa, mas também como cenário para o desenvolvimento de algumas disciplinas; (3) verificou-se a existência de uma lacuna entre teoria e prática, sendo o alcance da interdisciplinaridade e da transversalidade o principal desafio à institucionalização curricular da EA; (4) por fim, observou-se diante da autonomia proposta às licenciaturas a partir da promulgação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial em Nível Superior de Profissionais do Magistério para a Educação Básica, uma oportunidade para o estabelecimento de núcleos multidisciplinares/interdisciplinares que envolvam um conjunto de disciplinas que visem promover um abrandamento dessa perspectiva fortemente disciplinarizada presente nas licenciaturas. Foi possível conferir que a EA, enquanto perspectiva da ambientalização curricular, embora relativamente nova, tem avançado a passos largos rumo à abordagem crítica nas licenciaturas analisadas, apesar do fator interdisciplinar e transdisciplinar apresentarem-se como uma imponente barreira à sua plena realização. Considera-se, com base no investigado, que a abordagem disciplinarizada, apesar de não consensual, configura-se como uma notável estratégia de ensino no contexto da formação inicial docente, pois congrega um espaço para discussões metodológicas voltadas aos vários contextos educativos.