Título

Uma ontologia do Sagrado Feminino na perspectiva da dimensão ambiental na educação

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Patrícia Maria Ingrasiotano
Nome do(a) orientador(a)
Antônio Fernando Silveira Guerra
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2017
Dependência Administrativa
Privada
Resumo

Frente aos modos de vida insustentáveis da contemporaneidade, este estudo se propôs compreender a matriz ontológica do sagrado feminino na perspectiva da dimensão ambiental na Educação, a fim de reconhecer uma ontologia do cuidado que possa vir a contribuir com esta dimensão da educação, e com o campo de discussões da Educação Ambiental. A pesquisa foi desenvolvida no contexto do Grupo de Pesquisa Educação, Estudos Ambientais e Sociedade do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica (SANTOS, 2000; SALVADOR, 1986, de cunho teórico (FOUCAULT, 1998, 2000, 2001, 2008, 2011; BOFF, 2000, 2004, 2009; 2013; SAUVÉ; 1996, 2005, 2016; GUERRA, 2004, 2001, 2006; SATO, 2005, 2016; PEREIRA, 2016; DITTRICH, 2001, 2010; MATURANA, 1997; CAPRA, 2006), de caráter transdisciplinar (NICOLESCU; MORIN; FREITAS, 1994), compreendida no horizonte de uma abordagem hermenêutica (GADAMER, 2002; 2007). No percurso investigativo, dados arqueológicos da pré-história que comportam iconografia sagrada feminina, arte e ritual foram explorados (LEROI-GOURHAN, 1968; 2007; GIMBUTAS, 2001; MELLAART, 2000), assim como as sistematizações teóricas a respeito dos mesmos (EISLER, 1997; 1998; 2014). Movimentos feministas, e seus desdobramentos, tais como o Ecofeminismo e a Teologia feminista, também foram revisados (RESS, 2012; KOLBENSCHLAG, 2000; WARREM, 2000; RUETHER, 1993, 1996; GEBARA,1999). Aproximações entre a ética do matricentralismo, a Carta da Terra (UNESCO, 2003), a Ecologia Profunda de Arne Naess (DIEGUES, 1998) e Teoria Ecológica Cosmocena (PEREIRA, 2016) foram balizadas. Os dados apontam que na perspectiva de uma ontologia do sagrado feminino na dimensão ambiental da Educação, o Corpo adquire um estatuto sagrado, e se reconhece a si próprio em diálogo com o Mistério, mediado pela história dos acontecimentos. Essa percepção de si é transferida às relações das quais faz parte, assim como da Terra em que habita, considerada esta, o Grande Corpo da Mãe, tal como aparece nas manifestações artísticas e celebratórias ancestrais, revelando com isso uma apropriação vital da Casa da Terra, por parte dos antigos, que pode entender-se como um saber habitar. Um saber que se mostra nas reivindicações da mulher através dos tempos, nos movimentos contraculturais feministas e ambientalistas, cujos apelos e conquistas mostram-se permeados por uma ética de re-apropriação da Vida, em Si, na Terra e na Divindade. Com efeito, a matriz ontológica do sagrado feminino que se revela na ressignificação dos sentidos do cuidado na dimensão ambiental da Educação pode considerar-se como um dispositivo capaz de acalentar o acontecimento no campo educacional, pois nos convoca, como educadores e educadoras, a reinventar a cultura a partir do redimensionamento do Ser, assim como no redimensionamento dos seus territórios de existência, de apropriação de si, de diálogo e de atuação. Assim sendo, mostra-se como uma contribuição fundamental na inversão axiológica apontada por Pereira (2016) como o grande desafio da Educação Ambiental.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
31/05/2021