Título
A Amazônia é aqui? Redes que tecem a Amazônia discursiva no ensino de ciências
O objetivo central dessa pesquisa é problematizar a Amazônia produzida nos materiais institucionais da Secretaria Municipal de Educação de Manaus - SEMED e Secretaria de Educação do Estado do Amazonas - SEDUC, assim como seus atravessamentos por enunciados de diferentes campos discursivos tais como mídia, literatura, música, economia, religião, A empiria tem as margens borradas e móveis, assumindo como materialidade disparadora os materiais institucionais das secretarias de educação do Amazonas, sendo ampliada constantemente por diferentes materialidades discursivas por meio das quais também se produzem e circulam enunciados sobre a Amazônia. A trajetória sinuosa da pesquisa construída por meio de uma lógica artesã está imbricada com o processo formativo da pesquisadora nos descaminhos de pesquisar como ato de criação. Discurso, saber, poder e subjetivação, são as ferramentas teórico-metodológicas tomadas de Michel Foucault para empreender as análises, no propósito de desnaturalizar as descrições, caracterizações e definições que determinam supostas verdades, modos de ver e dizer a Amazônia e os sujeitos ditos amazônidas. A trama enunciativa fabrica uma Amazônia entendida como real da qual se diz que o Brasil e o mundo precisam conhecer, proteger e explorar. Os enunciados que emergem na arena de discussão são: Amazônia Exuberante, Amazônia Miúda, Amazônia Ameaçada e Amazônia Útil. Eles atuam na fabricação de uma Amazônia predominantemente constituída por elementos naturais que se apresentam em abundância e que estão aí ocupando todos os lados desse território. A Amazônia exuberante é margeada pela Amazônia desconhecida, Amazônia ameaçada e pela Amazônia fonte de serviços, no qual a ciência precisaria intervir para catalogar, divulgar e instituir modos de exploração econômica ditos sustentáveis. A fabricação de uma Amazônia vista apenas por sua natureza faz com que seu campo de discussão situa-se predominantemente no ensino de ciências, mais especificamente no âmbito de uma Educação Ambiental de viés preservacionista e economicista, a partir da qual, por meio de práticas discursivas e não discursivas se produz um ecoconsumidor conscientizado e disciplinado para minimizar os impactos que sua existência provoca no planeta.